segunda-feira, dezembro 14, 2009

Raridade

Não estou triste. Nada neste sentimento que me assola como um vento contra-alísio e me seca de toda e qualquer razoabilidade, me consegue entristecer. Estupefacto. Não tanto. Perplexo. Possivelmente. Poderiam ser coisas que se explicam recorrendo à lógica ou a qualquer outro ensinamento da vida, e que perdurasse, depois, como lição para a posteridade. Nada disso. São coisas que exigem uma grande reflexão e que, mesmo assim, não é certo que consigamos explicar. De tão complexas, quase que roçam a imbecilidade, a estupidez gritante que tantas vezes usamos para a atribuír a quem detestamos ou, simplesmente, a quem não entendemos. E eis que dou agora por mim no mesmo papel estupidificante, a moer e a remoer em justificações possíveis para estas coisas que, afinal, existem, estão bem vivas e grassam por aí como erva daninha em casa de campo. Falo-vos destas coisas inexplicáveis dos sentimentos. Não dos sentimentos puros, crus e inquestionáveis que sentimos por uma mão cheia de amigos ou familiares (daqueles que não vemos apenas no Natal). Não dos sentimentos que nos enriquecem enquanto indivíduos e nos revelam a nossa importância perante nós próprios e perante aqueles que amamos incondicionalmente e que nos retribuem de igual forma, sem que para isso seja exigível qualquer tipo de cobrança, explicação ou arbítrio. Sim dos sentimentos que surjem como uma aurora ao nascer do sol e nos aquecem em locais íntimos ( e ínfimos) que só raramente reconhecemos dentro de nós. Sim dos sentimentos que nos elucidam quanto à possibilidade de ser legítima e até agradável, a coexistência com um outro ser humano; um ser humano que não seja um complemento de nós, mas sim um prolongamento de ambos; um ser humano que nos devolva em quantidade maior aquilo que demos de forma despreocupada, isenta e sem qualquer tipo de sentimento carente face a uma eventual e necessária retribuição. Sim dos sentimentos que, por uma qualquer razão fisiológica e hormonal, nos propensa a devaneios pouco razoáveis e quase incoerentes, quando não tremendamente imbecis. Roçam, neste caso, a designação de amor ou paixão, independentemente de qual dos substantivos é mais adequado ou a qual deve ser reconhecida maior importância. Nomes, são apenas isso, palavras que teimamos assumir como definição para algo inexplicavelmente vago em termos físicos e que se traduz, invariavelmente, numa ansiedade inócua e para a qual não existirá ainda fármaco eficiente. Em suma, tudo o que reflecte uma reacção a um estímulo. Em suma, tudo o que consiste num estímulo dado por uma reacção. Eis como qualquer palavra ou expressão é insuficiente. Palavras à-parte, poderia ser uma história minha, mas não seria verdade. É uma história de alguém a quem presto vassalagem nesta riqueza que é a amizade:

“Há uns dias atrás (mais do que aqueles que me custa a admitir e menos do que me obrigo a acreditar), beijei alguém. De uma forma minimalista e, quiçá, até mesmo ofensiva, diria que foi apenas o culminar de algo inpensado, progressivo e bom que se foi construindo em alicerces de palavras, muitas, oferecidas de forma gratuita e desinibida, entre duas pessoas que não se conheciam fisicamente. Esta seria uma outra história ditada num sem número de palavras em forma de prosa ou rima. Pouco interessa agora. Relevante será que, esse beijo, foi como uma brisa calma e serena. Daquelas brisas que só sentimos ao fim de uma tarde de Verão, e que só nos lembramos de sentir quando nos desculpamos das nossas vidas e damos espaço a quem somos realmente, longe daqueles que temos de ser. Dificilmente conseguirei distinguir entre uma definição absurdamente adjectivada e uma que me pareça mais lamechas mas real. Por isso, não o tento fazer. Digo-o apenas como senti aquele beijo e no quão esse sabor de mulher se perpetua na minha boca sempre que fecho os olhos e me lembro da profundidade dos seus olhos e escassos centímetros dos meus. Ridícula essa constatação enraízada de que o sabor de uma boca é exponenciado pelo cerrar dos olhos durante o beijo. Deixei os meus bem abertos, como se quisesse ficar alerta perante tudo aquilo que me estava a acontecer; fiquei-me assim, a olhar para todas as emoções e sabores como se estes pudessem ser enxergados a olho nú; a minha boca agia quase como que mecanicamente perante a minha estupefação e o sabor doce dos seus lábios quentes, tremorosos, que adormeciam os meus ao mesmo tempo que me acordavam a alma e o sexo; perdi-me naquela textura rugosa, perdi-me. O beijo ficou ali, suspenso, em cordas frágeis de tesão e incredulidade. Olhámo-nos e percebemos que existem gestos que não conhecíamos em igual número de expressões faciais que nunca víramos. Percebemos também que, ali, naquele momento, era dado o mote, o tiro de partida para algo que não poderia ser relativizado e assumido sob a forma de uma tentação à qual se deu espaço físico para se materializar. Ela sorriu, questionou-me porquê e percebi, também ali, que jamais me haviam feito pergunta tão difícil. Sorri de volta em retribuição sem saber se era um sorriso a resposta certa. Mas sorri na mesma, porque sorria por dentro, num turbilhão de incertezas às quais não estava sequer disposto a ouvir. Entrou no carro, sentou-se, suspirou. Podia ter ficado a olhar, a vê-la afastar-se, mantendo-me em pose máscula de conquista. Precisei de a sentir de novo. O vidro abriu-se e o seu olhar traduziu a palavra que eu ouvira tantas vezes a sair da sua boca: mimo. Encostei a minha face à sua, senti o seu cheiro delicioso e quis ser sempre seu. Quis que aquele momento não acabasse e quis que aquele fim de tarde desse lugar a todas as manhãs de uma vida. As nossas bocas procuraram-se de novo e foi de novo que senti tudo outra vez. A textura, o doce, o tremor. A paixão. O amor. Talvez.

Quisemos tudo aquilo de novo e foi-nos dada a oportunidade. O acaso, a disponibilidade proporcionada pela outra vida, a séria, impermeável aos sentimentos mais humanos e raros. Qualquer coisa foi diferente. Não sei se aquela situação constrangedora de chegar a correr, ofegante, perante a ansiedade do reencontro, e vê-la a cumprimentar um amigo. Delicado, educado, sem qualquer tipo de razão ou sequer feitio para dar espaço a sentimentos fúteis como o ciúme, esperei, dando lugar e espaço àquele momento. Um cigarro fez-me companhia por breves minutos até que chegasse a minha vez, novamente, de poder olhar os seus olhos de perto e sentir a sua boca. Teria mantido os meus olhos abertos, mais uma vez. Desta vez e outra vez. Mas tudo foi mais frio, como a brisa de Outono que, agora, servia de cenário a este segundo encontro. Entre frases feitas, palavras inóspitas de mordacidade e sarcasmo, humor forçado e desinteressante, tudo aquilo foi diferente. Uma defesa perante a intensidade do primeiro encontro? Uma defesa de quê, afinal? Frio, senti frio e levei as mãos até bem fundo nos bolsos das minhas calças. Os meus ombros subiram e a minha cara refugiou-se nas golas do casaco. Muito, pouco ou nada. Muito, pouco ou nada de mais um ou outro assunto sem nexo ou relevância. Uma despedida fugaz perante aquilo que me pareceu a última vez.

Estava certo. Passou todo este tempo (mais do que aqueles que me custa a admitir e menos do que me obrigo a acreditar) desde que beijei alguém. Desde que aquele sentimento avassalador abanou toda a minha estrutura incólume a qualquer terramoto que a vida usa, de quando em vez, para me surpreender. E tem-se dado mal, esta vida. Mantenho-me hirto quando outros vergam ou partem. Mantenho-me lógico quando outros estão indecisos ou erram. Mas não desta vez. Golpe baixo diria, uma lição, se nada disto tivesse acontecido no passado. Acontecera, de facto, mas protegera-me todo este tempo o carácter perecível da memória de muitos anos. Era algo que conhecia, mas do qual me esquecera. E agora vivia tudo de novo. E agora viverei tudo de novo, consciente de que o mesmo carácter perecível da minha memória me ajudará a ansiar por uma nova textura, um novo sabor doce e um novo e breve tremor.”

Conheço-o bem, este meu amigo. Um amigo. Um amigo que deixa que a vida o surpreenda sempre que quiser e haja tempo. E ele dá a si próprio o tempo que permite que a vida vá entrando, sem pedir licença, com toda a sua voracidade e armada de surpresa. É o homem mais lógico que conheço, e conheço-o bem, este meu amigo. Conheço-a pouco. Tão pouco que quase nada, não fossem as parcas palavras que ouvi da boca deste meu amigo, num misto de êxtase e perplexidade, em forma de relato. Ela tivera também a sua dose de surpresas da vida. Mais displicente, sem recorrer a racionalidades que a impossibilitassem de sentir estes esgares de paixão, era uma mulher disponível para o apetite voraz da vida. Sofrera e jurou nada mais sofrer. Mas dizia-se livre, sabendo que o dia chegaria. Aquele dia em que, mais uma vez, se acredita que é aquela a pessoa com a qual conseguiremos atingir o prolongamento da nossa própria existência. Ela acrediatava nisso. Pelo menos, assim o dizia. A sintonia era essa. O mesmo humor, gostos semelhantes, ambições compatíveis e mutuamente respeitadas. Como o disse, não era o sexo. Era o conforto, a sinergia de duas existências fundidas apenas em uma, sem desrespeito pela individualidade de cada uma delas. Perfeito. Não era o sexo, era o “mimo”. Ele tremia sempre que ela o dizia. Ela dizia-o muitas vezes.

Para quem tiver a sorte de encontrar pela frente a vida, essa vida armada da surpresa que só ela maneja tão bem, ardente e mordaz, mas sempre muito bem disposta, uma vénia. Não reconhecimento por essa sorte, mas uma vénia pela oportunidade que tem de viver. Raramente a vida se alinha com o nosso próprio caminho e escolhas. E porque uma raridade, uma qualquer raridade, deve ser sempre vista como uma espécie de monumento que urge preservar (pois o próprio tempo se encarrega de o tentar destruir com todas as suas forças naturais), preserve-a. Proteja-a com o seu próprio corpo se necessário for, mas trate de a interiorizar primeiro na sua alma para que não mais dela venha, um dia, a ter de abdicar. A maioria de nós morre sem interiorizar estes sentimentos. Aliás, a maioria de nós morre sem mesmo se aperceber da existência de tal raridade.

Para quem não tiver essa sorte, uma outra vénia. Uma vénia pelo respeito que me merece a força e o rumo e a coragem de continuar a viver. Ou por não saber da sua existência e continuar a deambular insistentemente no mesmo tipo de registo medíocre que serve de normativo aos pobres de alma e espírito, a usar como bitola o trote frágil das emoções artificiais da carne, ou por, pelo contrário, saber da sua existência, mas assumir a triste realidade da sua não descoberta em qualquer humano com o qual até agora tenha privado. Para ambos, a confiança de que só o conhecimento desta força, a experiência do cataclismo que nos permeabiliza a alma, a dor que nos rasga e dilacera em duas metades e o amor que volta a uni-las, só isso permite assumir que se viveu. Só isso permitirá descansar-nos e sossegar-nos quando desta vida nos despedirmos entre memórias vivas e coloridas, longe das lúgubres candeias das grutas escuras por onde calcorreamos toda uma vida. Só isso valerá a pena quando morrermos, mesmo que nenhuma mão ampare a nossa no momento em que vociferamos o adeus num último suspiro. Só isso valerá a pena. Só com isso poderão contar.

Quem definiu as palavras paixão e amor como o sopro que nos mantém vivos, estava certo. O meu amigo sabe-o. A sua amiga não.

quinta-feira, outubro 29, 2009

Ser vivo

Não senti nada no embate

O estrondo serviu de anestesia

Fez-se luz num clarão de agonia

E o tempo parou

A dor subiu-me à face

E em gemidos me desfiz

Como se me arrancassem a raíz

Que sempre me alimentou

Caí por terra sem respirar

Em espasmos me quis reanimar

Mas morri

Morri por dentro mas morri

Senti-me sangue espesso e quente

Escorri por todo um corpo inerte

Ardeu-me a água que dos olhos verte

E mesmo assim nada se curou

Tentei chamar-me à razão

Lutei contra a dor e o desmaio

No céu vi o tremor de um raio

E senti-me perto do fim

Lembrei a vida que vivi

Celebrei tudo o que senti

Mas morri

Morri por dentro mas morri

E quando olhei em meu redor

Aquele anjo que sempre me protegeu

A mulher que a esperança e o amor me deu

Não me quis ver

Virou a cara e caminhou para longe

Como se já nada ali houvesse

Como se o meu grito não a quisesse

Este era o seu adeus

Ainda a tentei puxar

E quase a consegui beijar

Mas morri

Morri por dentro mas morri

Vi-a perder-se na escuridão

Soube ser o fim, não mais voltaria

Rumou ao destino que outrora não queria

Espero que seja feliz

Chorei e olhei o meu corpo inerte

Sem saber como, algo aconteceu

A dor, o grito, a angústia, tudo desapareceu

E devolvi-me à vida

Lambi as feridas abertas por dentro

Num suspiro vi que me salvara

Senti que tudo em mim se renovara

E chorei mais e vivi

O céu sinistro abriu-se a um luar diferente

Talvez só para mim, talvez para toda a gente

Mas não morri

Senti-me vivo e sorri

Mas não morri

Fiz da tristeza o sangue que bebi

E não morri

Anjo que amo, pensarei em ti

quarta-feira, agosto 19, 2009

Carta de (quase) Amor

É em ti que penso durante grande parte dos meus dias. Penso em tudo o que já te disse em mil palavras genuínas, muitas delas faladas em esforço para conter a emoção, outras faladas em surdina para esconder a tesão. Penso em todas as vezes que te olhei com aquele olhar apaixonado e cirúrgico, numa perfeita assimilação da tua imagem física dentro de mim. Conheço muitos dos teus detalhes e mais não conheço porque vivemos um amor platónico. Tivesse eu sido bafejado pelo Criador com a sorte de poder dominar a arte do desenho, e desenhar-te-ia durante toda a minha vida, nas inúmeras perspectivas em que te vejo nos meus pensamentos e sonhos. Conheço todas as tuas perfeições e imperfeições na perfeição. És perfeita aos meus olhos, na forma arguta e emocionada como te vejo. És perfeita em todos os outros aspectos que aos outros desagradam ou passam despercebidos. Riem-se de ti ou da forma estranha e inusitada que dão contorno aos teus pensamentos e ideias. Porque os não percebem, ou porque os desculpam sabendo da tua meninice e ingenuidade eternas. Soubessem eles que essa és mesmo, e definitivamente, tu. Que deveria ser essa a criança que têm de amar todos os dias, para que todos os dias se sinta amada como qualquer criança merece. Eu conheço-te dessa forma e arrisco acreditar que apenas eu te conheço dessa forma. E faltar-me-ão conhecer apenas mais um ou outro contorno da imensidão do teu ser, porque vivemos um amor platónico. Não choro por isso. De alguma forma, alimenta-me uma esperança incondicional de que um dia nos poderemos amar de outra forma. Talvez. Um dia em que tenhas a coragem de te libertar das amarras da tua existência quotidiana e escolhas o conhecimento de ti mesma. Um dia em que percebas que talvez a nossa existência não passe apenas pelo papel que desempenhamos neste argumento cinematográfico que é a vida, e onde desde há um tempo e agora e hoje, preferes representar no teu melhor vestido, tendo como pano de fundo um cenário idílico que deixaste que construíssem para ti. É onde vives e onde tentas desenfreada e desesperadamente sentir-te bem. Mas sabes que recolhes apenas as recompensas pontuais e fugazes que não te alimentam em pleno. Que não te ajudam a encontrares-te ou sequer a indicarem-te um caminho para essa tua descoberta. Mas vais vivendo, sabendo que aguentas. Sabendo que é só um pouco mais do mesmo e que a tua resistência ainda não se esgotará desta vez. Apesar de, agora e neste preciso momento, te assolarem quase diariamente aqueles pensamentos e a tua necessidade de seres alguém, sentindo-te como tal. Não para os outros, mas para ti e para a mulher que queres ser. Corrijo. Não a mulher que queres ser, mas sim a pessoa que queres ser. E essa não é pessoa que se limita a sobreviver aos dias e que constrói um reino de imagens talhadas a ouro e diamantes. Essa não é a pessoa que se sente frustrada perante a incompreensão dos seus pares quanto às suas ideias beneméritas e solidárias de querer mudar o mundo e ser feliz. Essa não é a pessoa que outros olham de soslaio enquanto lê seis livros, de uma assentada, num curto período de férias. A mulher que queres (e escolhes) ser hoje não é a pessoa que desejas ser amanhã. E só não o digo com mais certezas, porque vivemos um amor platónico. Sabes muito do que não queres, mas ainda sabes pouco do que queres. Sabes que o caminho que conheces te levará algures, mas temes que o seu destino seja vazio, insípido, inodoro e incolor, como o é a água. E não será essa a água que satisfará a tua imensa sede de descoberta de um caminho que te transforme e que te dê a imensidão, os sabores doces, os cheiros e as magníficas cores que queres para a tua vida. Deveria ser tudo tão mais simples que isto. O que existe de incompreensível numa vontade humana de fazer a diferença, para si próprio e para os outros? Porque será de tão difícil compreensão para alguns, que algumas das outras pessoas do mundo não se sintam realizadas e reveladas na sua existência, quando integradas numa sociedade regrada, metódica, organizada e assustadoramente afinada? Tal como numa orquestra, a beleza da melodia audível e arrepiante que invade todo o espaço onde se propaga, ecoando e ressoando nas suas paredes, resulta apenas da interiorização, imaculada e profissional, que cada um dos seus elementos faz da leitura da sua pauta. É um facto, real e intransponível. Mas será tão difícil entender que existirão pessoas para quem nada disso interessa, e para as quais a verdadeira melodia arrepiante se conquista na exploração ou mesmo invenção de outros instrumentos? Os instrumentos da alma, por exemplo, os instrumentos da nossa própria espiritualidade que levam a que essa melodia arrepiante se revele sob a forma de nós mesmos? É essa que tu és. São estas as perguntas que sei que equacionas diariamente e agora mais que nunca. Agora que aquelas amarras e grilhetas invisíveis te prendem a um destino que não pretendes mas para o qual contribuis diariamente com a tua complacência e inércia. Desculpa a frontalidade, mas muito mais te diria se não vivêssemos um amor platónico. Estranho não te parece?! Pensarmos que qualquer forma de amor fomenta a sinceridade plena e integral, mas sentirmos que, de alguma forma, apenas o amor “assumido”, formalizado perante os outros e carnal, nos dá o direito à total transparência na amizade que deverá estar implícita nesse amor. Liguei-te hoje e, mais uma vez, não atendeste. Natural. Deveria ter pensado que tal aconteceria, pois vivemos um amor platónico. Queria partilhar contigo uma loucura da minha própria existência, uma libertação das minhas próprias amarras e grilhetas perante uma vida que vivi, que condeno mas que sinto agora esfumar-se em rasgos da minha clarividência. Poderá ser apenas bom senso por ter optado por aquilo que quero e em que acredito. Ou não. Poderá ser mesmo o meu momento de revelação e daquelas escolhas inadiáveis que prometo a mim mesmo e que mantenho latentes ad eternum. Tal como tu, também eu deambulo no vazio dos meus dias, tentando, aqui e ali, encontrar uma atmosfera respirável que permita manter-me vivo. Mas esse torpor, esse ar rarefeito e nauseabundo é-me cada vez mais insuficiente. Sinto que esta estrada é um caminho de ida, apenas, sem volta. E não há volta a dar. Aquilo que antes me fazia olhar para trás enquanto caminhava nessa estrada e que, invariavelmente, me levava a regressar ao ponto de partida, já não existe. Minto. Ainda existe, mas interpreto-o de outra forma. De uma forma que, e não desrespeitando as convenções familiares que prezo, que estão em sintonia com os meus próprios desígnios e personalidade e às quais estarei ligado durante toda a minha vida, consegue anular por completo as interpretações mais absurdas e utópicas que outrora considerei normais e até mesmo realistas. Estou noutra e é noutra que quero estar daqui a bem pouco tempo. Ao dia de hoje, desafio a minha existência como outrora nem ousara pensar. Ao dia de hoje, vivo toda e qualquer emoção que se me depare, quando outrora nem pensara reagir perante um estímulo. Ao dia de hoje, faço uma escolha por mim, sabendo que será dentro de mim que encontrarei o companheiro fiel da viagem. E só não serás esse companheiro, porque vivemos um amor platónico. Minto. Só não serás esse companheiro porque escolheste este amor platónico em tua própria defesa e dos restantes amores que vives. Esquecendo-te, porém, que é de ti mesma que te defendes quando deverias ousar confrontares-te. Que é na defesa do que, afinal, nem te liberta, que dás força às amarras e grilhetas que te prendem no meio de ti. Também ouso dizer-te que te conheço bem ou talvez melhor que ninguém, mesmo que não o saibas, e mais conheceria se não vivêssemos um amor platónico. Dar-te-ia o silêncio quando dele precisasses nos teus momentos de leitura e introspecção. Dar-te-ia a atenção quando dela precisasses para exteriorizar a tua consternação perante as imensas injustiças e atrocidades do mundo. Dar-te-ia o tempo quando dele precisasses para tudo e para nada. Dar-te-ia o abraço quando dele precisasses ao viver o medo e o terror de uma possível complicação da tua saúde. Dar-te-ia o amor quando dele precisasses de forma egoísta, para ti e só para ti. Dar-te-ia todo o meu ser, se não vivêssemos um amor platónico. Sei que um dia decidirás conscientemente porque não mais poderás fugir do que não tens mas queres. Sei que esse dia chegará e que estarás feliz ao fazê-lo. Triste por tudo o que deixas e por algum saudosismo que sentirás ao olhar as amarras e grilhetas quebradas em pedaços. Mas feliz por tudo o que conquistarás, junto dos outros mas principalmente dentro de ti. É possível que isso aconteça dentro de pouco tempo, mesmo que o tempo necessário para que o decidas seja muito tempo da tua vida. Sentirás que o tempo só contará a partir daí e que muito tempo perdeste. Mas isso não importa, não o faças. Assume que tudo o que decidiste até hoje foi lógico e consonante com a tua existência, e desta forma não te preocuparás com o passado. Assume que o que decides nesse momento condicionará o teu futuro, e essa decisão só pode ser tua, porque o teu futuro também o é. Eu já fiz as minhas escolhas e já quebrei as minhas amarras e grilhetas. Fi-lo em consciência mas de forma natural, não premeditando algum tipo de benefício material, apenas espiritual. Sei que só dessa forma conseguiria viver a minha vida e ser o meu companheiro de viagem, deixando para trás um ser amorfo, inerte e cabisbaixo que, por ironia, se me assemelhava em forma e tamanho. Fi-lo porque vou cultivando algumas certezas, quer nas experiências que vivo quer nos ensinamentos sábios que me vão transmitindo. Decidi acreditar quando nunca o soube fazer antes, apenas porque o antes nada me trouxe de novo. Mas o presente, as minhas escolhas e prioridades poderão trazê-lo. E nesta fase vou sozinho, sem ti, porque vivemos um amor platónico. Aliás, perceberás sem esforço que foste a mais forte amarra ou grilheta que me prendeu a uma série de indefinições e incertezas. E que, a manter-me prisioneiro, me manteria também na mesma inércia que agora recuso e nego. Vou andando, sem certezas que lá mais à frente te poderei encontrar, pois acredito que, logo que te consigas soltar do que te mata, o teu ritmo de descoberta e esclarecimento será muito mais rápido que o meu. Porque eu vou questionando e atrasando o passo a cada momento que vivo. Porque tu o fazes muito menos e és muito mais decidida que eu. Irónico é apenas o facto de que, neste preciso momento, não o estás a ser. Não percebes e temo que jamais perceberás o que te amo, pois vivemos um amor platónico. Não percebo e temo que jamais perceberei, porque o vivemos.

sexta-feira, agosto 14, 2009

O inimigo público

Por mais que exercite o meu cérebro em busca de uma justificação para o que me parece injustificável, não encontro qualquer réstia de clarividência. É difícil tentar perceber tudo. O Mundo como o conhecemos, as pessoas como as vemos e as atitudes como as lemos. São demasiadas incógnitas numa equação complexa e da qual não se conhece resultado certo. Baralhamo-las na expectativa de que façam mais sentido dessa forma, mas estas retribuem-nos com uma ainda maior complexidade na equação. Muitos resistem à frustração desta procura incessante e quase sempre inglória. São os que se importam e que se alimentam de novas perguntas que vão formulando apesar de não terem ainda encontrado qualquer resposta para as questões anteriores. Outros não resistem, deixam de se importar e rendem-se a um adversário maior no qual se apoiam e esperam ajuda na definição do rumo das suas vidas. Deixam de questionar e passam a responder a uma entidade que vêem como maior, um sistema perfeitamente enraizado e aculturante. Não fosse o meu gosto pelo desafio (ou será mais adequado chamar-lhe teimosia?) e percebia-os na perfeição. É legítimo poupar energias e fugir quando o adversário nos dobra em força e tamanho. Mas já a minha mãe enquanto viva me acarinhava dizendo-me “teimoso como uma mula”. Pensava ela tratar-se de uma educação pela negação que me levaria a tornar-me um adolescente mais tolerante e respeitador das ideias dos outros. Mal sabia ela, coitada, que a ofensa me fortalecia na definição de uma personalidade questionadora e embrutecida nos alicerces da própria razão, ou daquela que pensava ter em doses desmesuradas, não fosse eu isso mesmo, um adolescente que á semelhança de qualquer outro, cria um Mundo à sua imagem para onde se muda de malas e bagagens para nunca mais voltar. De uma forma peculiar (quiçá irracional e intolerável num homem da minha idade), ainda vivo entre esse Mundo e este. Ora me refugio na minha dimensão da razão perante um qualquer problema ou questão e crio uma resposta a meu bel-prazer, ora enfrento esses adversários que a quase todos dobram em força e tamanho e dou a luta que posso. Alguns são realmente fortes, confesso. Não tanto pela sua dimensão física ou peso hierárquico numa qualquer estrutura piramidal, seja esta social ou profissional, mas pela sua verborreia decrépita e ofensiva para quem pensa de forma inteligente. Arremessam-nos com autênticos petardos lançados das suas catapultas de insensatez e falta de bom senso (para não falar em pura idiotice, que poderia ser também considerada terminologia ofensiva e pouco democrática), e só uma muralha bem firme e alta resiste a este ataque. Assumindo que a edificamos e fortalecemos todos os dias com o nosso conhecimento e maturação, resistiremos sem grande esforço a estes ataques insípidos e quase confrangedores. Anuindo que o não fazemos, poderemos estar fragilizados e quase sentir o cheiro putrefacto do nosso corpo atingido mortalmente por um desses petardos. Porque, confesso, estes adversários podem ser fortes. Diz-me a experiência do confronto regular com tal inimigo, que a moderação é a chave para a estocada mortal que, um dia, lhe desferirei. É nesse mesmo registo que o inimigo se move e é com as mesmas armas que o deveremos combater. Sim, é desgastante desempenhar um papel de faz-de-conta que nos remete para o universo da hipocrisia. “Quem não sente, não é filho de boa gente”, dizia também a minha mãe e estava carregada de razão. Ter que usar as mesmas armas que o adversário, tendo-o visto anteriormente a manipulá-las com mestria na tortura de outros, e assumir que agora temos de ser um pouco como ele, é algo que me comove e me revolta um estômago frágil. Por mais que o sinta e em nada me enobreça tal escolha, sei que as armas da razão, em ambiente hostil e minado, servem de pouco mais que luvas brancas que moem mas não matam. As armas da razão usam-se entre iguais, dando estatuto vitorioso a quem melhor as esgrime. Neste caso, de nada servem. A escolha é única e passa pela moderação. A moderação que usarei enquanto descasco as fraquezas do inimigo. A mesma moderação que usarei para expor e deixar a nu a sua personalidade maquiavélica. Ocorre-me chamar-lhe de coitado, pois não é mais do que fruto de uma insegurança latente que teme que outros percebam. Mas não o chamarei de coitado. É o meu adversário e inimigo. É o homem que tenho de combater com todas as forças que tenho e com as armas que ele próprio me ensinou a manejar. Auxiliar-me-ei da razão ao esgrimir argumentos com adversários nobres e astutos de inteligência. Esta é uma batalha (ou deverei dizer, uma guerra) suja, nauseabunda nos seus argumentos baixos diariamente usados. Mas as batalhas (ou as guerras), na forma como tradicionalmente as conhecemos quando opõem quaisquer gregos e troianos, também o são. Mesmo quando legítimas e necessárias. Vou partir para esta batalha (ou guerra) com a perfeita consciência que estou e ficarei ainda mais sujo. Mas como diria a minha mãe, “se não podes vencê-los, junta-te a eles” e estava carregada de razão. Não o vencerei porque não lhe roubarei o sopro da vida e outros, depois de mim, viverão um sentimento semelhante ao meu. Mas juntar-me-ei a ele, ouvindo a sua insensatez, anuindo com a cabeça perante a idiotice dos seus raciocínios e comentários e, quando bem a seu lado, próximo do tapete que pisa com o mesmo desdém que pisa o restante Mundo onde habita, tirar-lho-ei debaixo dos seus pés. Sei que cairá desamparado e poucos (ou talvez ninguém) quererão amparar-lhe a queda. Ficará com algumas mazelas que sararão com o tempo e com uma eventual e promissora introspecção que logo se desvanecerá no seu egocentrismo utópico e pardacento. Mas recuperará. E eu, recuperarei da mesma forma, não de qualquer queda ou mazela mas da desmotivante senda de privação com ele e que durou alguns meses. E das promessas que fiz a mim próprio e aos que me rodeiam e que tive de suspender. E da minha integridade que gosto de pensar imaculada e que agora verguei enquanto me baixava para escolher as mesmas armas que o meu adversário. E recuperarei. “O que não nos mata, torna-nos mais fortes”, já dizia a minha mãe. E estava carregada de razão.

quarta-feira, agosto 05, 2009

Faith...

Amanhã será o dia em que estarei feliz. E igualmente triste. Amanhã será o dia em que voltarei a ver a minha filha, depois de cinco dolorosos dias sem aquele sorriso traquina e olhos enormes de mel, que me alimentam a alma de amor e o corpo de serenidade. E será o dia em que não poderei, mais uma vez, conhecer alguém muito especial que me tem dado algo semelhante a um sentimento de prosperidade e crença em mim próprio. Amanhã será o dia em que abraçarei aquele corpo franzino de criança e sentirei o cheiro da sua pele pura, exalando pelos seus poros pequeninos o odor dos meus próprios genes que a trouxeram à vida. E será o dia em que não ouvirei aquela voz doce e tranquila, aquele riso contagiante e divertido de quem está bem com a vida, com a sua integridade de mulher e com a sua alma igualmente próspera de quem constrói um novo futuro do nada, suportando em alicerces fortes de tudo. Amanhã será o dia em que brincarei e me esquecerei que sou um adulto preocupado com tudo o que de menos importante há na vida, que rebolarei na relva como uma criança que também gosto de ser, perdido em mil risos que emergirão de dentro de mim mesmo, navegando no amor que tenho pela minha filha. E será o dia em que não poderei ver o seu olhar exótico e sentir a sua energia duradoura e contribuir para que a sua festa com amigos possa ser ainda mais importante, porque é dessa importância da amizade e do amor pelos outros que ela, esta mulher linda, é feita. Amanhã será o dia em que adormecerei tranquilo sabendo que perto de mim dorme a minha maior fortuna, o meu ar, o meu ser, a minha coragem para viver, e não mais um dia em que adormecerei estarrecido pela incerteza da minha própria existência mundana, insípida e desinteressante. E será o dia em que não poderei ser igualmente feliz por estar com a minha amiga. Amanhã será o dia em que amarei e serei amado. E será o dia em que poderia igualmente fazê-lo e sê-lo. Amanhã será o 13.572 dia da minha vida, um dia importante porque esterei vivo e a amar aqueles que amo. E será o dia em que não verei a minha amiga mas em que lhe prometerei que, em qualquer outro dia da minha vida e por muitos outros que se seguirão, também a quererei amar.

quinta-feira, julho 23, 2009

Raiz

Decides cortar o mal pela raiz

Decides ser feliz

Mas não compreendes

Que a felicidade

É um bem com prazo de validade

Fechas-te ao que sentes

E quando não o dizes mentes

Mas não percebes

Que as mentiras

São as verdades que a ti própria tiras

O que decidires por mim está bem

Se um novo começo ou outro alguém

Mas não entendes

Que algo que começa tem sempre um fim

É a história da vida e em tudo é assim

Sei que tudo em ti está reservado

A quem te quer sem pecado

A quem é sombra a teu lado

E mesmo que o não quisesse

Eu quero-te assim e existo

Mas tenho o meu passado

Pergunta-me porque o fiz

Se sei ou se quero plantar a raiz

Porque dar-me de novo a ti

É o mesmo que não querer contar

E saber que sozinho sou número par

Pergunta-me porque insisto

Sou um caso perdido e não desisto

Dar-me ao salto sem rede

Não é de alma inteligente

É de corpo que parte e não sente

Sei que tudo em ti está reservado

A quem te quer sem pecado

A quem é sombra a teu lado

E mesmo que o não quisesse

Eu quero-te assim e existo

Mas tenho o meu passado

segunda-feira, julho 20, 2009

Vestido Branco

Da porta fizeste o pano que sobe na peça

E que dá inicio a mil ilusões

Entraste com o teu corpo por dentro de mim

E o que te disse foi nada

Sabes porque to disse que quando sorris

O mundo pára e fico suspenso

E todas as dúvidas dentro de mim

Desfazem-se em nada

Tudo tem uma razão de ser

E a vontade não tem querer

No teu vestido branco vejo mil cores

Que me fazem querer tudo

E nada ter

Sabes melhor que ninguém como te mostrar

E decides que nada me mostras

Dominas a arte da sedução e seduzes

Todo o meu corpo e o meu ser

E por mais que saiba que tal como eu

Estás longe de não querer amar

É uma luta que ambos travamos

Orgulhosos que não o sabem ser

Tudo tem uma razão de ser

E a vontade não tem querer

No teu vestido branco vejo mil cores

Que me fazem querer tudo

E nada ter

Não queremos mais seguir as mesmas pisadas

Porque no fim de contas a vida continua

Cada um em seu lado inventa novas estradas

Ninguém dá a sua vida a ninguém

E fica cada um com a sua

Amo a minha, não a tua

E fica cada um com a sua

Dedicado à “mulher de vestido branco”

domingo, julho 19, 2009

Pontas Soltas

Desculpa-me por tudo o que fiz

E tudo o que não fiz

Nunca percebi como fazer bem

Estas coisas do coração

Desculpa-me por ter dito tudo o que disse

E tudo o que não disse

As palavras são emoções

Às quais não sei dar razão

Dou-me a ti nesta confissão

Porque não sei viver assim

Não me pesa só a alma e o corpo

Mas o que já não queres de mim

Esquece que algum dia fui teu

Não te ocupo a memória

Hoje somos duas pontas soltas

No resumo desta história

Desculpa-me por tudo o que menti

E tudo o que omiti

A verdade é revelação

E eu não quero saber

Desculpa-me por tudo o que pensei

E tudo o que sonhei

Esqueci-me que para jogar

É preciso saber perder

Tinha mil coisas para te dizer

Que me assolam noite e dia

Não me pesa só a alma e o corpo

Mas perder tudo o que queria

Esquece que algum dia fui teu

Não te ocupo a memória

Hoje somos duas pontas soltas

No resumo desta história

Esquece que algum dia existi

Esquece que um dia fui parte de ti

Esquece tudo o que acabou

E que nem de ti ou de mim algo ficou

Esquece que algum dia fui teu

Não te ocupo a memória

Hoje somos duas pontas soltas

No resumo desta história

sábado, julho 18, 2009

Praia do Sonho

Foi nesta praia
De areia fina e branca
Que jurei ser-te fiel
Foi nesta praia
De ondas de espuma quente
Que a nossa vida começou
Foi nesta praia
Onde o sol nunca se põe
Que beijei o teu mel
Foi nesta praia
Onde o vento sopra a norte
Que menti sobre o que sou

É aqui que me escondo
Quando de tudo quero fugir
Neste berço do que fomos
Onde dorme ainda
O que está para vir

E vou ter de perguntar por ti
Vou ter de te procurar

Foi neste sonho
Que pensei partir para sempre
Antes de ver o dia a nascer
Foi neste sonho
Que vi o nosso futuro
E me esqueci do passado
Foi neste sonho
Realidade ou devaneio
Que não consigo entender
Foi neste sonho
Nas horas em que o sonhei
Mas em que estava acordado

É aqui que me encontro
Quando me perco à procura
Nas imagens do que fomos
Que me atormentam ainda
E me levam à loucura

E vou ter de te esquecer
Vou ter de ser só para mim

quarta-feira, julho 08, 2009

Emotional Rollercoaster

Hey you, girl I love, look at me
I took the day off to celebrate
I feel like I was brought back to life again after that kiss
Please don´t feel like you have to say something
Your unbelievable taste speaks for itself
And it´s true, I confess, It´s something I miss
Let´s get back all we lost in the way
Didn´t we baby…? What else can I say?

Hey you, girl I need, listen to me
There´s always a place for you
My life is kind of a runaway train going nowhere
Because living without you it´s too hard
No sense or meaning in whatever I do
That´s true, I confess, it´s something I could swear
Can you understand what I´m saying?
Can you baby…? Should we go on playing…?

Love our up´s and down´s baby
Love to feel free and lost
Love to take one more ride
In my emotional rollercoaster…

Hey you, girl I seek, pay attention to me
I won´t forget our promise
We´ll be hanging around each other´s life´s for a life time
You`ll be looking for something you can´t find
Hidden under your feet while you´re looking up
I`ll be writing my guts and searching the perfect rhyme
Are we going different ways…?
Or are we just testing baby…? For how many more days…?

Love our up´s and down´s baby
Love to know nothing about anything
Love to buy my ticket and get on board
In my emotional rollercoaster…

terça-feira, julho 07, 2009

Sweet Belief

Call me if you need me baby
Don´t be so hard on yourself sometimes
There´s no problem when you can´t handle it
There´s no problem if you´re crying in your sleep
I´m here if you need me whenever you´re going into deep
Call me if you need me baby
You don´t have to play you´re tuff
Somebody with your name told me when I didn´t believe
Humans are made of hope, faith, flesh and blood
And this remains the same even if they´re sinking in the mud

Smile at me baby and let´s get lost
If you believe it I´ll believe it too
There´s no treat on being alive
Since there´s always a reason for all we do
And you believe in me
And I believe in you

My life has change since I met you baby
Rainy days became sunny and warm
For every moment of sadness a bright light turned on
Nights did never come without a call anymore
For just small talk or all the lines of love and care I adore
My life has change since I met you baby
For a reason I can´t understand
You´re all over me with no intention to leave
My uninteresting days got full of reasons to smile
No matter how busy I am and even if we just chat for a while

Smile at me baby and let´s get lost
If you believe it I´ll believe it too
There´s no treat on being alive
Since there´s always a reason for all we do
And you believe in me
And I believe in you

Call me if you need me baby
Cause my life has change since I met you baby
And you believe in me
And I believe in you

Fairy Tale Muse

It was all my pleasure
I never thought I could feel that way
When I ran into you and you allowed me to stay
No heart feelings for free
No reason to cry on having another chance
Unless you leave the room without offering me a dance
My silent guardian angel
My ultimate excuse
My last reason for living
My fairy tale muse

Let´s dance slowly
While the world keeps turning around
Let me smell your hair without making a sound
I celebrate the joy
Don´t want to be anywhere else but here
Looking into your calm eyes and having no fear
My sentimental faking
My fire place with no use
My inspiration sentence
My fairy tale muse

And no dream is complete without you
No dream is complete without you

My bed is cold
And I´ve no intention to make it warm soon
I´ll smoke my cigarettes while I howl at the moon
Don´t love to be alone
But I´ve got no intention to find a travel mate
Cause I handle with care my future and my fate
My last compromise
My psychological abuse
My one way ticket to heaven
My fairy tale muse

And no dream is complete without you
No dream is complete without you
My fairy tale muse
No dream is complete without you

segunda-feira, julho 06, 2009

Memórias Vivas

Escolheste fugir
Logo agora que pensei
Que podia entender
A razão da tua escolha
De todo o tempo que esperei

Deixas-me sem o saber
Não imaginas que te quero
Solto a tua mão da minha
É esse o meu pecado
Nunca soube ser sincero

A nossa história
Não foi mais que uma canção
Que nenhum de nós cantou
Quando chegou o refrão
E por trás do teu segredo
Escondeu-se a traição
Deste-me tudo o que pedi
Mas depois tiraste-me
Com a outra mão

Por trás do homem que fui
Esteve na frente uma mulher
A meu lado quando o não queria
E quando o quis
Perdida num lugar qualquer

Sei que a culpa é minha
Algo que custa aceitar
Que te vou ver em cada esquina
E a uma outra qualquer
Vou ter de me desculpar

A tua cara e o teu corpo
O teu beijo o teu olhar
São memórias vivas
Com que convivo
Mas que vou ter de apagar

A nossa história
Não foi mais que uma canção
Que nenhum de nós cantou
Quando chegou o refrão
E por trás do teu segredo
Escondeu-se a traição
Deste-me tudo o que pedi
Mas depois tiraste-me
Com a outra mão

Não devo nada a ninguém

Procurei musas faladoras
Palavras que nunca havia escrito
Entoações promissoras
Dar o dito por não dito
Tudo para alguém sempre escrevi
Dei sentimento a quem o quis
Chorei por corpos que não provei
Mas nunca para mim o fiz

Tive ousadia em quem amei
Dei-me sem pranto porque o prefiro
Não sou tão brusco quanto o devo
O que dou, jamais retiro
Fico só e em mim me embranho
Sofro na antecipação e no leito
Fujo nas asas de uma borboleta
Num ciclo de causa-efeito

Estas palavras são para mim
Um egoísmo que me assenta bem
Não devo nada a ninguém

Procurei musas faladoras
Estridentes e vil feitio
Cruzei mares em sua busca
Encontrei-me no leito de um rio
Por mais que quisesse dizê-lo de outra forma
Por mais que andasse na minha mão
Deparei-me sempre com dois sentidos
Um que o faz, o outro não

Estas palavras são para mim
Um egoísmo que me assenta bem
Estas palavras são para mim
Não devo nada a ninguém

Recado

É de ti que falo com a minha alma
Sempre que dela me lembro querer vingar
Pelos pensamentos ociosos e sofridos
De quem não tem mais nada que pensar
Relembro-te nua e fria sobre a cama
Enrolada em ti mesma, fingindo dormir
Controlando a respiração falsamente calma
Para que não tivesses que te despedir
Olhava-te uma última vez
Dizia-te o que querias ouvir
Para que percebesses uma vez mais
Que esta era a minha vez de ir

Deixei-te o recado que nunca irias ler
Porque da minha boca, horas antes
Conseguiste perceber
Que não deu para forçar
Que não me quiseste amar

Dei o benefício a mim mesmo
Porque o quis e merecia-o uma vez mais
Fui apanhado numa confusão de palavras
Mais do que poucas, irracionais
Desci a escada com o sentimento
De que não queria mais voltar
A ter que deixar de viver
Não queria ter de ver tudo acabar
E saí para a rua sentindo a chuva cair
Não me abriguei, não tive medo
Hoje é o primeiro dia do resto da minha vida
Não é tarde, é bem cedo

Deixei-te o recado que nunca irias ler
Porque da minha boca, horas antes
Conseguiste perceber
Que não deu para forçar
Que não me quiseste amar

Written by: Mário Batista
4 de Maio 2008

Não me interessa nada

Não sou dado a respostas
Àquilo que não entendo
Às perguntas de algibeira
Que o Mundo vive fazendo
Bem as tento perceber
Dar-lhes razão, um sentido
Soletro-as p´ra não me enganar
E acabo sempre confundido fodido

Azucrina-me a memória
A lembrança da sentença
“O que devias ter feito?,
Pára lá um pouco, e pensa!”
“És um touro numa arena,
Com mil olhos a assitir
Vais ficar aí, cansado...
Ou decides investir?”

Esqueçam lá essas retóricas
Eu não sou de decorar
Não vou lá por mnemónicas
E o meu tempo está a contar

Isso não me interessa nada
Isso não me interessa nada...

Não me legaram riqueza
Um amor p´ra vida inteira
Nem tão pouco educação
P´ra me inibir da asneira
Sempre soube que p´ra ter
É de mim que tem de sair
Portanto guardem essas merdas
P´ra quem as quiser ouvir

Esqueçam lá essas retóricas
Eu não sou de decorar
Não vou lá por mnemónicas
E o meu tempo está a contar

Isso não me interessa nada
Isso não me interessa nada...

Grito

Primeira página do jornal
Dá-me a volta à barriga
Entre putas, assassinos
Brigas laranjas, desatinos
Incestuosas prestações
De pedófilos e cabrões
Roubando impunemente
Empresários de gente
Campanhas contra a desgraça
Beijinhos e abraços na praça

Que país de merda este
Que de entre mil e um valores
Tivemos que dar destaque e fama
Aos dos filhos da puta e doutores

Alinhamos embaixadores
No pastel de nata e no turismo
Pomos o ónus da pátria lusa
Vendendo-a limpa, qual obtusa?
País de brandos costumes
Da agricultura e dos estrumes
Da terra fértil e brisa quente
De quem não mente ou cai um dente
Do mar azul e areal branco
Da libra rica em porto franco

Que país de merda este
Que só na história se escusa
Duma língua que ninguém fala ou lembra
Quem é Camões, o que é a musa?

Digo tudo ao mesmo tempo
E não consigo separar
Não há cá trigo nem joio
Está tudo por misturar
O grito de revolta que já demos
Mas que deixámos calar
Ainda nos vai foder a todos
E na primeira página publicar

Written by: Mário Batista
4 de Maio 2008

quinta-feira, julho 02, 2009

Não pensei

Morri de susto
Por nada ser como antes
Não pensei
Que conseguisses vencer
Da ansiedade e da loucura
Dos gritos e devaneios
Lutaste armada do teu orgulho
E começaste e acabaste
Por me esquecer

Passas por mim e sorris
Mas nada vejo no teu olhar

Isto é verdade
Porque a mentira caducou
Não pensei
Que preferisses recomeçar
Do que restou fizeste nada
Tiraste-me da tua vida
Seguiste o caminho fácil
E quando cheguei
Estavas de partida

Passas por mim e não me vês
E eu não sei onde ficar

Passas por mim
Como se o teu mundo não fosse o meu
Passas por mim
Como se nada do que aconteceu
Tivesse contado
Podes estar certa
E eu errado

Vou a tempo
De pagar na mesma moeda
Não pensei
Alguma vez ter de o fazer
Mas é a pura verdade
Um de nós passou à história
Bonita mas mal contada
Com desejo no princípio
E no final só com memória

Passas por mim
E baixas os olhos ao teu passado
Passas por mim
Como se eu tivesse acabado
Fico sozinho
Olho-te uma última vez
Seguindo o teu caminho

quarta-feira, julho 01, 2009

O dia em que a nossa canção morreu

Juro que não sei porque te escrevo
Só sei que o tento mas não o consigo evitar
Por mais que a razão me lance pedras ao caminho
Existe sempre um trilho por onde consigo passar
Sei que esta é a forma que encontrei
De te dizer o que me custa admitir
Assumo a falta de coragem para resolver
E a teimosia de quem fala tudo sem nada ouvir
Mas não dou luta ao chamamento
Porque sei lidar com o sentimento
Abro-me em portas que não sei fechar
E que me levam a qualquer lado
Talvez ao sítio onde te vou encontrar

Juro que não sei porque te digo
Mesmo sabendo que pode ser tarde demais
Não me iria perdoar se o não fizesse
Não me é fácil ver-nos como rivais
É uma luta sem fundamento
Uma batalha que nunca foi para ganhar
Preferia perder a ter de me render
E num cativeiro ver-me a definhar
Mas de presa fácil não tenho nada
Muitos se aventuraram nesta caçada
E defendi-me como um mestre na guerra
Fui nobre quando cercado e atingido
Queimei os planos e lancei as cinzas à terra

Este foi o dia
Em que a nossa canção morreu
Um dia vindo do nada
E onde nada aconteceu
E do nada se fez noite no dia
Em que a nossa canção morreu

É importante o que tenho para te dizer
Mesmo que o escreva por não conseguir falar
Pois a verdade não cresce em chão fértil
Se alguém se esquecer de o regar
E com lágrimas reguei o nosso fim
Decorei-nos para viver com essa imagem
Fiz o luto, lancei a terra e disse o último adeus
E prestei-nos a merecida homenagem
Eu conheço-te mas para ti nunca te vi
Fui a causa, o rastilho e nunca te mereci
Que o sacerdote cale o som da minha dor
E me olhe ditando o fim da minha sorte
No que quero e não vou ter, seja o que for

Este foi o dia
Em que a nossa canção morreu
Um dia que também acabou
Sem corar de azul o nosso céu
Abri mão de tudo o que era meu
E não quis estar contigo no dia
Em que a nossa canção morreu

E agora temos outra oportunidade
Não queremos deitar tudo a perder
Uma nova realidade, um espaço de verdade
Para fazer esquecer o dia
Em que a nossa canção morreu
Este foi o dia
Em que a nossa canção morreu
Este foi o dia
Em que a nossa canção morreu

sábado, junho 27, 2009

Love lessons in days of fall

You used to look at me and ask
“Tell me how much”
I used to smile at you in a rush
Feeling nothing but fear
Waiting our song chorus
Could anticipate the words
“You can't make your heart feel something it won't”
And in the dark
In those final hours
I was alone
Far frightened than any other soul could be
Knowing all of that was simply not enough
Our shadows, silhouettes and stuff
The way we liked to be
From our carpet dream land
To your juice´s tasting body
No one could ever saw it coming from behind
And in the dark
In those final hours
I was afraid
But now I can´t recall
If we really did it all
Or if it was just a dream
Love lessons in days of fall

Nothing´s left to say now
Just broken hearts and guilt and anger
Seeing each other´s faces as total strangers
I tease you as if hope could save us
From your lousy rules for life
We´re going different ways
You claim you owe me nothing but some words
And in the dark
These will be our final hours
And we´re late
And now I can´t recall
If we really did it all
Or if it was just a dream
Love lessons in days of fall

Poema que acabou em prosa

Diz-me, como queres que conte a história
Diz-me, que eu faço como quiseres
Se começo pelo princípio
No beijo que ansiámos
No futuro que traçámos
Em tudo o que acreditámos
Ou se começo pelo fim
Na desilusão que queimou
No olhar que se apagou
No nada que restou
Diz-me, como queres que conte a história
Diz-me, que eu faço como quiseres

Lembra-te apenas
De fingir que isto é um jogo
Evitas as lágrimas que te fazem sofrer
E se a vantagem é tua
Ou se a vantagem foi minha
O resultado é justo
Acabámos ambos por perder

Deixemos espaço à memória
Este é um conto que não deu em história
Poema que acabou em prosa

Diz-me, conta-me tudo o que pensas
Diz-me, algum dia vamos ter de falar
Se ainda o quisermos
Haverá muito a perceber
Vamos ter que entender
Se o nós acabou por morrer
Ou se o não queremos mais
Pois era tempo de parar
Soltar amarras e navegar
Longe do rio e perto do mar
Diz-me, conta-me tudo o que pensas
Diz-me, algum dia vamos ter de falar

Lembra-te apenas
Que por mais luta que te desse
O teu orgulho é talhado a teimosia
E se a vantagem é tua
Ou se a vantagem foi minha
O resultado é justo
Qualquer noite dá lugar ao dia

Deixemos espaço à memória
Este é um conto que não deu em história
Poema que acabou em prosa
Deixemos espaço à memória
Este é um conto que não deu em história
Poema que acabou em prosa…

sexta-feira, junho 19, 2009

Sem Culpa

Entro sem pedir licença
O teu espaço é meu
Foi por aqui que me perdi
E invado-te
Não tenho a mania
Que a tua vida me pertence
Mas quero-a
E quero-te
Olho à volta
Não há sinais de mim
Destruíste o que deixei
E procuro-me
Aqui e ali
Num pormenor irrelevante
Vejo que ainda cá estou
E censuro-te

Não fui eu que saí
Eras tu que já não estavas
Vais viver com o remorso
Lido bem com isso
Eu vejo-me e revejo-me
Sem culpa

Mais dia ou menos dia
Vou ganhar uma outra vida
Que me sirva melhor
E esqueço-te
Sei aquilo que me faz bem
Tomo-o em doses letais
É quando me rio da tua cara
E arrependo-me
Ainda choro quando lembro
Que as promessas foram vãs
O destino não é para mim
E anulo-me
E nas paredes que me abrigam
Penduro os restos de nós
São momentos que me roubaste
E perdoo-te

Não fui eu que saí
Eras tu que já não estavas
Vais viver com o remorso
Lido bem com isso
Eu vejo-me e revejo-me
Sem culpa
Eu sinto-me e afirmo-me
Sem culpa

Insónia

Ontem tive um sonho. Sonhei que tudo não tinha passado de um enorme pesadelo. Que, afinal, não tínhamos ido cada um para seu lado deixando órfão mais um daqueles nossos momentos mágicos. E que a magia acontecera. Até amanhecer, como sempre havia acontecido. Mas eu ontem não tive um sonho. Eu ontem mal consegui dormir. Eu ontem pensei incessantemente em todas as possibilidades. Pensei até nas impossibilidades. E de tanto pensar, adormeci. Mas não sonhei.
“Será que amar de forma errada não é amar? Da mesma forma que uma palavra com um erro se transforma noutra palavra, um amor com erros torna-se noutra coisa qualquer? Tudo seria muito mais fácil com um “acordo ortográfico para o amor”! O que estava errado, passava subitamente a estar certo! Verdade. A grande questão é que amar não tem forma errada ou certa. Ama-se e pronto. Sem “acordos ortográficos” que nada mudam, pois continua-se a fazer tudo exactamente da mesma forma como sempre se fez.”
Mário Batista
“A ansiedade é fruto da incompreensão. Quando amadurece, acaba por cair.”
Mário Batista

Casa da Quimera

Olá, como está
Seja bem-vindo a esta casa,
Não lhe faremos mal
Mas vai ver tudo de uma forma original
Entre, feche a porta
Deixe o Mundo atrás de si
Nada mais será como era
Chamam-lhe a casa da quimera
Vai-lhe parecer esquisito
Que as pessoas não tenham cara
É tudo normal e vai gostar
Acabamos por nos habituar
Tenha atenção
À porta grande no fundo
Diz alguém que um dia lá bateu
Que espreitou e lá dentro só viu breu
Não sabemos bem porquê
Há quem lhe chame o fim do Mundo
Diz que não se sente o ar
Se fosse a si, não ia querer experimentar
Por todas as outras salas
Sejam as pretas ou as brancas
Pode falar com quem quiser
Desde que saiba que não o podem ver
Olhos ninguém tem,
O mesmo para boca ou nariz
Dizem que não sabem quem lhos roubou
Já ninguém os tinha quando aqui chegou
Não tropece em nada
Há muitas coisas pelo chão
Se para este olhar e nada vir
Não se preocupe que não vai cair
Sinta-se como em sua casa
Pois a partir de hoje vai mesmo sê-la
E nunca vai querer sair
Pois nada disto alguma vez o vai trair
Agora que reparo
A sua cara também já está diferente
Já não vejo o seu olhar profundo
E vejo uma luz que não se vê no Mundo
O seu nariz desapareceu
Mas não vai ter nada para cheirar
E vá por mim que não lhe minto
Isso é coisa da qual nem saudades sinto
Diga qualquer coisa homem
A sua boca vai-se extinguir
Diga tudo o que lhe vai na alma
E se não ouvir som mantenha a calma
Todos aqui são iguais
Comunicam pelo toque
Imagina um Mundo melhor para viver?
Onde nada pode acontecer?
É gente boa que aqui anda
Que só em vida fez mal
Houve quem conseguisse amá-los
Mas fui eu a encontrá-los
Mesmo que não me veja mais
Saiba que andarei por aí
Sou conhecido por Satanás
A quem “nada pedes e tudo dás”
Vá entrando, vá senhor
Chegou finalmente à estação
Onde a vida deixa de soprar
E a morte o leva a passear.

terça-feira, junho 16, 2009

Final Feliz

São dias a mais sem conseguir sorrir
São dores e maleitas que não sei definir
São estados de graça sem graça nenhuma
Promessas a mais mas onde não escapa uma
São gritos mudos de quem não quer ouvir
São juras e teimas de quem não vai cumprir
São farpas deixadas no chão onde caminho
Onde agora sei que vou ter de andar sozinho
É uma história triste
Que quase me faz chorar

São dramas frustrados de quem não quer viver
São ruídos secos em madeira a apodrecer
São passos cercados de quem não sabe andar
Frases e rodeios sem palavras para soletrar
São mundos e fundos de um mar pouco salgado
São ventos que sopram sem furacão ou tornado
São ondas que dançam sem força para me levar
De volta a uma praia onde queira naufragar
É uma história triste
Que me pedem para contar

Quero sair para não voltar
E escolho a porta maior para fechar
Sem medo ou vergonha
Preciso continuar

É uma decisão que a seu tempo tomei
É ouvir a voz que tanto tempo calei
É saber que só em mim posso acreditar
Por mais que exista quem me vá querer amar
É um novo rumo que se vislumbra além
É uma viagem que não partilho com ninguém
É o sabor doce da coragem de partir
E com lágrimas amargas me vou despedir
É uma história triste
Com final feliz

Quero sair para não voltar
E escolho a porta maior para fechar
Sem medo ou vergonha
Preciso continuar

segunda-feira, junho 15, 2009

Luzes da Cidade

Saio à rua para respirar a noite
Dou-me aos seus conselhos
E a onde ela me quiser levar
Dos passeios faço estrada
E viajo a velocidade incerta
Rumo ao destino que me calhar

Entram por mim os cheiros
Da calçada imunda e quebrada
Que todos pisam sem olhar
São becos em que me perco
Escuras vielas onde nunca me encontrei
Mas onde sei que não quero morar

Mas as luzes não param de brilhar
Como se me quisessem ajudar
São faróis que me guiam num mar de gente
E me deixam a salvo
Do meu naufrágio
Eminente
Luzes da cidade,
Candeias da minha vontade

Saio à rua para fugir
De mim mesmo ou de alguém que não esqueci
Mas sei que vou ter de lutar
Deixo para trás as muralhas do meu forte
Que me defendem de tudo o que não quero
Por mais que o tentem assaltar

E vejo as sombras de mil almas
Que deambulam já perdidas
Ou ainda à espera de se encontrar
E não sinto pena de ninguém
E a ninguém a noite dá pena
Prefere dar cheiro a quem a respirar

E as luzes não param de brilhar
Como se me quisessem ajudar
São faróis que me guiam num mar de gente
E me deixam a salvo
Do meu naufrágio
Eminente
Luzes da cidade,
Candeias da minha vontade

domingo, junho 14, 2009

Tudo ou Nada

Não tenho vontade de passar por tudo outra vez
Tenho um palmo de testa que me chama à razão
E o bom senso de não me deixar enganar pela emoção
Não tenho vontade de deixar de existir outra vez
Ver no espelho a imagem de alguém que não eu
E viver de alma triste num corpo que a inibe e que não é o meu

Dizem-me egoísta sem perceber
Que não é crime querer-me proteger
Que atire a primeira pedra
Quem nunca se quis defender

Fico bem, porque estou bem
Sou como quero
E quero ser

Não tenho vontade de adiar tudo outra vez
Passar o tempo a construir um mundo onde não quero viver
Crio uma imagem e faço-me objecto que alguém me deixa ser
Não tenho vontade de me deixar levar pela tempestade
Ser um barco perdido num oceano onde não sei navegar
Na tempestade que me empurra para longe e me faz naufragar

Olham-me com olhos de pena
Um pobre viajante de pele morena
Nada disso é para mim
Sou o actor que comanda a cena

Fico bem, porque estou bem
Sou como quero
E quero ser

Não tenho vontade para mais incertezas
Chegou a minha vez do tudo ou nada
Não tenho tempo para a pessoa errada

Fico bem, porque estou bem
Sou como quero
E quero ser

segunda-feira, junho 08, 2009

Will you?

I wish I could saw it coming
Before all the harm and tears
Took the place of my hopes and fears
I burned all our expectations
The gold was stolen before it melt
And turned to ashes all the love I felt
Lover did you ever fall for me
Will you ever decide where we should be
I took a rain check of our life
Before knowing we had one
So full of sadness instead of fun
No one told me decisions are for real
There´s no turning back for all we swear
No chance to be weak when we dare
Lover did you ever missed me
Will you ever decide that´s me you want to see

Will you ever tell the truth?
Will you ever tell me what´s next or not?
No more questions without answers
No more second chance for what we got

Another day

I sit and close my eyes
Listening to all the words
Boiling inside my head
In front of me a blank page
The veil I will caress
Painted with love or death
It´s a sad beginning
Unless happiness takes its place
An exorcism for all I have to say
My fingers tap as if they´re dancing
My breathing is close to rare
A restless heart will choke me anyway

Colors I never dreamt of
Kisses I never gave
Words no mouth could swallow
As if the truth was made to save

Give me all you got
As if we didn´t have another day

I´m tired of my own thoughts
Anyone can figure it out
I´m not making any sense anymore
You were the center of my universe
Someone to listen to my prayers
A goddess I worshiped before

You left me to my destiny
My close encounters to real life
Women I didn´t know how to love
Gave my money to a fortune teller
My world turned upside down
Berried and below after healthy and above

Colors I never dreamt of
Kisses I never gave
Words no mouth could swallow
As if the truth was made to save

Give me all you got
As if we didn´t have another day
Give me all you got, baby
As if we didn´t have another day

Wonderland

I´m just entering a new life
Where all the lights turn on to me
I´m the center of the world
The world where I´m supposed to be
No more rainy days
Or turning colors into grey
No more listening to dramas
The words are left for me to say

I´m a man in wonderland
I´m a man being his own best friend

I make my own rules
Going to places no one else can see
I make myself the greatest god
I create humans as they´re supposed to be
Everyone´s around me
Watching the games I want to play
Not fading to consequences
Feeling defeats are quite okay

I´m a man in wonderland
I´m a man that knows how to stand

If my future collapses
I´ll be right here to defend the cause
No more tears dropped without meaning
No fast forward before the pause
I´m stuck to everything I believe
My arms wide open to embrace the living
My joy is breathing each single moment
As long as my heart keeps moving

I´m a man in wonderland
I´m a man in my own land

domingo, junho 07, 2009

Fora-da-lei

Convidaste-me a ficar
Depois de tudo
E para um pouco mais de nada
Quiseste viver um sonho
Que desse certo
Mas eu era a pessoa errada

Sem saberes o porquê
Fizemos amor
E deste-me lugar na tua cama
Criaste um mundo nosso
Não chegou parecer bonito
Para quem feio ama

Não porque menti
Não porque matei
Mas por um mal que só eu sei
Sou suspeito sem castigo
Sou um fora-da-lei

Acreditaste por ambos
Criaste um tempo e um espaço
Para nos fazermos à estrada
Sem saber para onde ir
O que fazer ao chegar
Mas unidos na cruzada

Caíste na real ou na utopia
Desculpo-te a inocência
Porque és feita do que não tenho
São valores a que me escuso
Que não sei perceber
Com menos arte ou mais engenho

Não porque menti
Não porque matei
Mas por um mal que só eu sei
Sou suspeito sem castigo
Sou um fora-da-lei

Sou um fora-da-lei
Sou suspeito sem castigo
Porque nunca te amei
Sou suspeito sem castigo
Sou um fora-da-lei

Futuro de nós

Tudo é de mais mas não chega para explicar
O que senti ao regressar ao nosso espaço
Tudo voltou a mim e nada quis dizer
Entrei para não sair mais daquele abraço

Um beijo que nunca senti igual
Uma pele que sabe ao que de mais doce provei
O sexo que me arrepia e me faz perder
O sentido da razão que nunca sacrifiquei

É tarde de mais
Seguimos numa nova viagem
Sem paisagens ou escalas
Rumo ao futuro de nós

Da esperança em nós depois da tempestade
Nada mais restou que a teimosia
Sempre escolhi o caminho a seguir
O destino tracei-o sabendo o que queria

Das pedras que me atiraste fiz pó
Do falso olhar soprei a nuvem que o cobriu
Do que não quiseste ver chamei-te a atenção
Dei nome ao que temos e que mais ninguém sentiu

É tarde de mais
Escrevemos agora a nova história
Sem capítulos definidos
Rumo ao futuro de nós

Estarei perto se chamares
Tornou-se missão acompanhar-te
Nos momentos difíceis que vives
Encontro mais razões para amar-te

É tarde de mais
Estou contigo para valer
Sei que tudo faz sentido
Rumo ao futuro de nós

quinta-feira, junho 04, 2009

Água e Sal

Chamaram-te de tudo um pouco
Diabo de saias, mulher fatal
Viúva negra
Anjo puro, celestial
Não fazem ideia do que dizem
Ninguém te viu como eu vi
És feita de vento e de chuva
Que levou tudo o que perdi

Chamaram-te à parte para saber
Qual o segredo que escondias
A cor da chave
Da porta que nunca abrias
Não fazem ideia do que dizem
Tu nunca falas a verdade
És feita do fogo e da indecência
Que me alimentam a insanidade

Diz-me porquê
Entraste em mim sem pedir licença
Invadiste tudo o que querias explorar
Pilhaste o que tinha de melhor
Queimaste o que não podias levar
Fica bem que eu fico mal
Alimento-me de água e sal

Chamaram-te fácil e cruel
No que a mim deste e tiraste
Perdoo-te
Porque sempre me avisaste
Não fazem ideia do que dizem
Aprendi mais do que sofri
Fui um escravo ao teu serviço
Na liberdade que escolhi

Agora chamo-te e não vens
E nem sei mais o que gritar
Perco a minha voz
Mas não tenho mais nada para falar
Não faço ideia do que digo
Sou um louco sem razão
Abandonado à minha sorte
Por ter escolhido dizer não

Diz-me porquê
Entraste em mim sem pedir licença
Invadiste tudo o que querias explorar
Pilhaste o que tinha de melhor
Queimaste o que não podias levar
Fica bem que eu fico mal
Alimento-me de água e sal

We´re dancing different songs

You thought your past was quite enough
To make me believe how strong you were
Miracles happened in your life
Without even a prayer or having to ask for it
Life´s unfair
You didn´t deserve these a little bit

My life was built on things I did and couldn´t just wait
For the opportunities to come and to lay on my side
Nothing happened as far as I know
No light to follow or angel to caress
Life´s unfair
And mine became an awful mess

Our hands were tied to each other
Our bodies were close to touch
We knew our rights but chose our wrongs
`Cause we were dancing different songs

You´re living what you asked for
All your dreams and hopes fulfilled
Big house in the country a small child and a dog
Perfect picture anyone could die for
Life´s unfair
And you´re supposed to get even more

Suddenly I just berried my own dreams
No hopes but fears as my guiding light
Small flat in a condo with noisy neighborhood
Did I deserve this more than you do
Life´s unfair
For giving me a false lie instead of you

Our hands were tied to each other
Our bodies were close to touch
We knew our rights but chose our wrongs
`Cause we were dancing different songs

We were dancing
We were dancing different songs
We were dancing…
We were dancing…

quarta-feira, junho 03, 2009

Mea Culpa

Reinventei uma história antiga com vestidos a rigor
Onde não faltava a princesa chorando por amor
O príncipe a cavalo, o vilão de capa e espada, o drama
Fiz-me ouvinte e deitei-me, atento, na minha cama
Saiu-me tudo de uma vez sem parar para pensar
Parecia que a tinha ouvido mil vezes sem as contar
Na acção pus todos os adjectivos que encontrei
Até no detalhe dos verdes campos me demorei
A meio caminho percebi que a história não era minha
Dei-me ao plágio nas palavras e em tudo o que tinha
Pela primeira vez na minha vida falei de alguém que não de mim
Por inveja não quis que houvesse felicidade no seu fim
Apimentei a trama com requintes de malvadez
Sem dar beleza aos beijos e ao destino que Deus fez
Matei os dois amantes no final com tragédia e dor
Fiz do vilão culpado e herói na sabedoria do seu rancor
E como se o não bastasse, tinha de haver pecado no enredo
Uma criança órfã e sem tecto mas portadora de um segredo
Que era a face da miséria e a quem Deus não dera voz
Mas que carregava na sua sina uma verdade atroz
Criada com educação e roupa lavada nos aposentos do castelo
Depois de um príncipe a cavalo lhe ter prometido também sê-lo
Eis que herda a coroa e para o povo passa a ser salvação
Até ao dia em que a peste o toma e lhe tira o juízo e a razão
No delírio febril escrevinha no papel palavras que nunca pronunciou
Chama de irmã à princesa e de irmão ao homem que a esta a vida tirou
Abre bem os olhos num esgar de dor, moribundo, vai render-se à morte aliviado
Entre um suspiro de agonia, da sua mão, da sua pena, sai uma última palavra…
“Culpado”.

domingo, maio 31, 2009

O Anjo e o Trovador

Ele era o homem que sabia cantar
Um trovador das mais belas histórias de amor
Às mulheres que amava as dedicava
Tocava-as baixinho e deixava-se chorar

Ela era a mulher que sabia ouvir
O seu mundo era feito de nada
Da dor dos outros estava farta confessava
Sonhou o seu futuro e teve de partir

Ele sentou-se ao piano e rogou a Deus mais uma vez
Porque mal o condenava nesta sua sina
Mais uma noite entre bêbados e putas
Ter nascido só e só poder morrer é pecado talvez

Ela entrou em busca de abrigo e sopa quente
O frio e a chuva lá fora fustigaram-lhe a razão
Largou a mala e foi como se ao Inferno descesse
Olhos cansados ao que lhe destinava o presente

Encostou-se ao balcão, pediu um quarto e água
Tinha moedas que chegassem, quis fazer valer
Riram-se na sua cara e troçaram do seu traje
Seria puta se o valesse e sem vintém ou mágoa

Chorou, ajoelhou-se e quis regressar
O mundo dos homens era cruel bem lho disseram
Ferida de orgulho, ninguém lhe daria conforto
E nenhum homem iria mais lhe querer pegar

Sentiu-o acima do seu ombro, quente e forte
Olhou-o, prostrada, e acedeu a dar-lhe a mão
Ergueu-a como se de um trapo se tratasse
Não a deixaria por nada, quanto mais à sua sorte

Envolveu-a com o seu casaco e abraçou-a
Encostou-a a si amparando-lhe a fracas forças
Os olhos dela brilharam tristes pela sua piedade
E nesse momento único, ele amou-a

Gritaram-lhe insultos por ser pago para tocar
Olhou-os com ódio e desdém que a todos calou
Abriu a porta da espelunca e a rua esperava escura
Não mais ali, sabia-o, ia voltar

Percorreram as vielas imundas, de cheiro a mijo e lama
Só as luzes da cidade davam vida às sombras de ambos
Ela tremeu e quis chorar e chorou
Ele prometeu-lhe tudo ir correr bem, o seu quarto, a sua cama

Como um pai que ama o seu filho, deitou-a e despiu-a
Limpou-lhe a sujidade que a viagem lhe dera ao rosto
Num pano quente moldou a mão que a acalmou
Em posição fetal a deixou e pelo sono profundo seguiu-a

Deitou-se a seu lado e agradeceu a Deus a ironia
Pelo que rogara pediu perdão e jurou eterna fé
Só dele poderia vir tamanha bênção em forma de mulher
Amava-a, por ela tocaria baixinho e choraria

Dela nada sabia e soube que sempre a esperara
Por tudo o que viveu, nas noites de solidão e quase morte
Um anjo que cruzara agora o seu caminho ermo
Deu-se a salvar em vida e a sua vida salvara.

Virtude

Amanhã vou acordar e olhar mais um dia
Com a mão cheia de novas incertezas
Embora tudo esteja igual
Vou pensar que é mais um dia e vou conseguir mudar
Que renasça em mim a força
Para combater o teu mal

E sonho que chegou a hora que vou querer recordar
Todos vão vê-lo nos meus olhos
E querer saber porquê
Nas perguntas porque o fiz e se fugi
Partilharei em silêncio e sem rancor
Quem não sabe é como quem não vê

Porque não quis, porque me cansei
Porque é um facto que só eu errei
Porque respondo sempre que nada sei

É o meu registo e todos me conhecem
Sou o livro aberto que todos querem ler
Mas ninguém quer comprar
Chamam-lhe a escolha que aos fracos protege
Eu digo apenas que sou normal
Sou livre de escolher que não te quero amar

Porque não quis, porque me cansei
Porque é um facto que só eu errei
Porque responso sempre, mesmo quando não sei

Já não se trata de uma escolha
A decisão está tomada
Encerrei mais um capítulo
Da minha jornada
Já não é “vamos tentar?”
“Pode ser que tudo mude…”
Desta vez respondo eu
“Esta é a minha virtude!”

Porque não quis, porque me cansei
Porque é um facto que só eu errei
Porque responso sempre e desta vez eu sei

quinta-feira, maio 28, 2009

Meet my John Doe

He was the guy at the end of the bar
Drinking his Bud, cigarette burned fingers
Gasping his life in stinking breathed moaning
Lifeless meaning of being alone
Thirty dollars paycheck daily recognition
A hooker, smoky pool tables and a red beans meal
Back to the trailer with nothing but sadness
Meaningless fortune of being alone
When a man gets to cry like a baby
Insecure in all his dreams and thoughts
The sky turns black, the moon turns grey
His life runs out in just a blink
And raindrops fall like broken hearts.

Reborn

You ran into my life
With no excuses or invite
Didn´t need an explanation
She was just there
I didn´t need to fight

More than just a friend
I felt her like a blessing
Even I didn`t deserve it
Or anything of a kind
No need for caressing

Got my inspiration back
My own image in the mirror
The reflection was there
And not any else where

Stories will be shared
Moments would last
Without even met
We know we´re meant to be
To support each other´s past

We´ll drink some red wine
Cheering the future with a smile
In our eyes there´ll be light
No darkness to reveal
Or sentiments to least a while

Got my inspiration back
My own image in the mirror
The reflection was there
And not any else where

Let´s get together in a journey
Our lives were built to last
Now the chains are left untied
No more rules or guidance
Will makes us run too fast
You´ll find me in a quiet place
Dreaming my future like a child
In a sleep built from what I lived
I am awaking with a lullaby
I wasn´t born to grow up wild

Got my inspiration back
My life is worth the living
The words are making sense
No frustration from offense
Got my inspiration back
My own image in the mirror
The reflection was there
And not any else where

quarta-feira, maio 27, 2009

"T" de "Fim"

Algures no tempo
Em dia que soube poder viver
Perdi-me de sentido e razão
Fiz de mim próprio a cobaia
Dei-me sem medo do teu não
Falei-te da experiência
Nada se conclui sem tentar
Quis convencer-te, não sei se o fiz
Mas tive-te para mim
De uma forma que nunca quis

Foi bom, dissemo-lo até diferente
Mas falámos em futuro
E descurámos o presente

Sei que és assim
Tens de ter todas as certezas
Juraste não mais sofrer
Pegaste em papel e tinta
E quiseste entender
Remeteste-me ao teu “T”
Uma espécie de deve e haver
O homem certo de um lado
Mãos dadas com o sentimento
No lado oposto tudo de errado

Foi bom, dissemo-lo até diferente
Mas falámos em futuro
E descurámos o presente
Foi bom, tudo ainda por viver
Por ser real não foi aposta
Mas acabámos ambos a perder

Sei de cor

Sei de cor os momentos
Sinto-te a meu lado em dias que vivo
Em dias que morro deixo-te sair de mim
Vou agonizando num estranho silêncio
Abro-me em portas que dão voz aos gritos
De tudo o que se escondeu com medo do fim

Vou-te amando porque não sei deixar de amar-te

Sei de cor a nossa história
Revejo-me envergonhado no meu papel
Mas não me lembro do caminho até aqui
Sei que quis ser guerreiro de capa e espada
Ganhei batalhas e enobreci-me com coragem
Mas as conquistas foram algo que esqueci

Vou-te amando porque não sei deixar de amar-te

Sei de cor os teus traços
Tivesse sido eu teu brilhante criador
Usando o carvão numa homenagem sentida
Desenhei-te vezes sem conta
Em cadernos da minha memória
Cujas folhas vou rasgando por toda a minha vida

Vou-te amando porque não sei deixar de amar-te

Vou-me afundando num mar de incertezas
Perco com a tentação pela tez dourada das minhas presas
Numa vontade pelo corpo firme e ignorando a alma esgotada
E vou-te amando porque não sei fazer mais nada
Vou-te amando porque não sei deixar de amar-te