quarta-feira, agosto 19, 2009

Carta de (quase) Amor

É em ti que penso durante grande parte dos meus dias. Penso em tudo o que já te disse em mil palavras genuínas, muitas delas faladas em esforço para conter a emoção, outras faladas em surdina para esconder a tesão. Penso em todas as vezes que te olhei com aquele olhar apaixonado e cirúrgico, numa perfeita assimilação da tua imagem física dentro de mim. Conheço muitos dos teus detalhes e mais não conheço porque vivemos um amor platónico. Tivesse eu sido bafejado pelo Criador com a sorte de poder dominar a arte do desenho, e desenhar-te-ia durante toda a minha vida, nas inúmeras perspectivas em que te vejo nos meus pensamentos e sonhos. Conheço todas as tuas perfeições e imperfeições na perfeição. És perfeita aos meus olhos, na forma arguta e emocionada como te vejo. És perfeita em todos os outros aspectos que aos outros desagradam ou passam despercebidos. Riem-se de ti ou da forma estranha e inusitada que dão contorno aos teus pensamentos e ideias. Porque os não percebem, ou porque os desculpam sabendo da tua meninice e ingenuidade eternas. Soubessem eles que essa és mesmo, e definitivamente, tu. Que deveria ser essa a criança que têm de amar todos os dias, para que todos os dias se sinta amada como qualquer criança merece. Eu conheço-te dessa forma e arrisco acreditar que apenas eu te conheço dessa forma. E faltar-me-ão conhecer apenas mais um ou outro contorno da imensidão do teu ser, porque vivemos um amor platónico. Não choro por isso. De alguma forma, alimenta-me uma esperança incondicional de que um dia nos poderemos amar de outra forma. Talvez. Um dia em que tenhas a coragem de te libertar das amarras da tua existência quotidiana e escolhas o conhecimento de ti mesma. Um dia em que percebas que talvez a nossa existência não passe apenas pelo papel que desempenhamos neste argumento cinematográfico que é a vida, e onde desde há um tempo e agora e hoje, preferes representar no teu melhor vestido, tendo como pano de fundo um cenário idílico que deixaste que construíssem para ti. É onde vives e onde tentas desenfreada e desesperadamente sentir-te bem. Mas sabes que recolhes apenas as recompensas pontuais e fugazes que não te alimentam em pleno. Que não te ajudam a encontrares-te ou sequer a indicarem-te um caminho para essa tua descoberta. Mas vais vivendo, sabendo que aguentas. Sabendo que é só um pouco mais do mesmo e que a tua resistência ainda não se esgotará desta vez. Apesar de, agora e neste preciso momento, te assolarem quase diariamente aqueles pensamentos e a tua necessidade de seres alguém, sentindo-te como tal. Não para os outros, mas para ti e para a mulher que queres ser. Corrijo. Não a mulher que queres ser, mas sim a pessoa que queres ser. E essa não é pessoa que se limita a sobreviver aos dias e que constrói um reino de imagens talhadas a ouro e diamantes. Essa não é a pessoa que se sente frustrada perante a incompreensão dos seus pares quanto às suas ideias beneméritas e solidárias de querer mudar o mundo e ser feliz. Essa não é a pessoa que outros olham de soslaio enquanto lê seis livros, de uma assentada, num curto período de férias. A mulher que queres (e escolhes) ser hoje não é a pessoa que desejas ser amanhã. E só não o digo com mais certezas, porque vivemos um amor platónico. Sabes muito do que não queres, mas ainda sabes pouco do que queres. Sabes que o caminho que conheces te levará algures, mas temes que o seu destino seja vazio, insípido, inodoro e incolor, como o é a água. E não será essa a água que satisfará a tua imensa sede de descoberta de um caminho que te transforme e que te dê a imensidão, os sabores doces, os cheiros e as magníficas cores que queres para a tua vida. Deveria ser tudo tão mais simples que isto. O que existe de incompreensível numa vontade humana de fazer a diferença, para si próprio e para os outros? Porque será de tão difícil compreensão para alguns, que algumas das outras pessoas do mundo não se sintam realizadas e reveladas na sua existência, quando integradas numa sociedade regrada, metódica, organizada e assustadoramente afinada? Tal como numa orquestra, a beleza da melodia audível e arrepiante que invade todo o espaço onde se propaga, ecoando e ressoando nas suas paredes, resulta apenas da interiorização, imaculada e profissional, que cada um dos seus elementos faz da leitura da sua pauta. É um facto, real e intransponível. Mas será tão difícil entender que existirão pessoas para quem nada disso interessa, e para as quais a verdadeira melodia arrepiante se conquista na exploração ou mesmo invenção de outros instrumentos? Os instrumentos da alma, por exemplo, os instrumentos da nossa própria espiritualidade que levam a que essa melodia arrepiante se revele sob a forma de nós mesmos? É essa que tu és. São estas as perguntas que sei que equacionas diariamente e agora mais que nunca. Agora que aquelas amarras e grilhetas invisíveis te prendem a um destino que não pretendes mas para o qual contribuis diariamente com a tua complacência e inércia. Desculpa a frontalidade, mas muito mais te diria se não vivêssemos um amor platónico. Estranho não te parece?! Pensarmos que qualquer forma de amor fomenta a sinceridade plena e integral, mas sentirmos que, de alguma forma, apenas o amor “assumido”, formalizado perante os outros e carnal, nos dá o direito à total transparência na amizade que deverá estar implícita nesse amor. Liguei-te hoje e, mais uma vez, não atendeste. Natural. Deveria ter pensado que tal aconteceria, pois vivemos um amor platónico. Queria partilhar contigo uma loucura da minha própria existência, uma libertação das minhas próprias amarras e grilhetas perante uma vida que vivi, que condeno mas que sinto agora esfumar-se em rasgos da minha clarividência. Poderá ser apenas bom senso por ter optado por aquilo que quero e em que acredito. Ou não. Poderá ser mesmo o meu momento de revelação e daquelas escolhas inadiáveis que prometo a mim mesmo e que mantenho latentes ad eternum. Tal como tu, também eu deambulo no vazio dos meus dias, tentando, aqui e ali, encontrar uma atmosfera respirável que permita manter-me vivo. Mas esse torpor, esse ar rarefeito e nauseabundo é-me cada vez mais insuficiente. Sinto que esta estrada é um caminho de ida, apenas, sem volta. E não há volta a dar. Aquilo que antes me fazia olhar para trás enquanto caminhava nessa estrada e que, invariavelmente, me levava a regressar ao ponto de partida, já não existe. Minto. Ainda existe, mas interpreto-o de outra forma. De uma forma que, e não desrespeitando as convenções familiares que prezo, que estão em sintonia com os meus próprios desígnios e personalidade e às quais estarei ligado durante toda a minha vida, consegue anular por completo as interpretações mais absurdas e utópicas que outrora considerei normais e até mesmo realistas. Estou noutra e é noutra que quero estar daqui a bem pouco tempo. Ao dia de hoje, desafio a minha existência como outrora nem ousara pensar. Ao dia de hoje, vivo toda e qualquer emoção que se me depare, quando outrora nem pensara reagir perante um estímulo. Ao dia de hoje, faço uma escolha por mim, sabendo que será dentro de mim que encontrarei o companheiro fiel da viagem. E só não serás esse companheiro, porque vivemos um amor platónico. Minto. Só não serás esse companheiro porque escolheste este amor platónico em tua própria defesa e dos restantes amores que vives. Esquecendo-te, porém, que é de ti mesma que te defendes quando deverias ousar confrontares-te. Que é na defesa do que, afinal, nem te liberta, que dás força às amarras e grilhetas que te prendem no meio de ti. Também ouso dizer-te que te conheço bem ou talvez melhor que ninguém, mesmo que não o saibas, e mais conheceria se não vivêssemos um amor platónico. Dar-te-ia o silêncio quando dele precisasses nos teus momentos de leitura e introspecção. Dar-te-ia a atenção quando dela precisasses para exteriorizar a tua consternação perante as imensas injustiças e atrocidades do mundo. Dar-te-ia o tempo quando dele precisasses para tudo e para nada. Dar-te-ia o abraço quando dele precisasses ao viver o medo e o terror de uma possível complicação da tua saúde. Dar-te-ia o amor quando dele precisasses de forma egoísta, para ti e só para ti. Dar-te-ia todo o meu ser, se não vivêssemos um amor platónico. Sei que um dia decidirás conscientemente porque não mais poderás fugir do que não tens mas queres. Sei que esse dia chegará e que estarás feliz ao fazê-lo. Triste por tudo o que deixas e por algum saudosismo que sentirás ao olhar as amarras e grilhetas quebradas em pedaços. Mas feliz por tudo o que conquistarás, junto dos outros mas principalmente dentro de ti. É possível que isso aconteça dentro de pouco tempo, mesmo que o tempo necessário para que o decidas seja muito tempo da tua vida. Sentirás que o tempo só contará a partir daí e que muito tempo perdeste. Mas isso não importa, não o faças. Assume que tudo o que decidiste até hoje foi lógico e consonante com a tua existência, e desta forma não te preocuparás com o passado. Assume que o que decides nesse momento condicionará o teu futuro, e essa decisão só pode ser tua, porque o teu futuro também o é. Eu já fiz as minhas escolhas e já quebrei as minhas amarras e grilhetas. Fi-lo em consciência mas de forma natural, não premeditando algum tipo de benefício material, apenas espiritual. Sei que só dessa forma conseguiria viver a minha vida e ser o meu companheiro de viagem, deixando para trás um ser amorfo, inerte e cabisbaixo que, por ironia, se me assemelhava em forma e tamanho. Fi-lo porque vou cultivando algumas certezas, quer nas experiências que vivo quer nos ensinamentos sábios que me vão transmitindo. Decidi acreditar quando nunca o soube fazer antes, apenas porque o antes nada me trouxe de novo. Mas o presente, as minhas escolhas e prioridades poderão trazê-lo. E nesta fase vou sozinho, sem ti, porque vivemos um amor platónico. Aliás, perceberás sem esforço que foste a mais forte amarra ou grilheta que me prendeu a uma série de indefinições e incertezas. E que, a manter-me prisioneiro, me manteria também na mesma inércia que agora recuso e nego. Vou andando, sem certezas que lá mais à frente te poderei encontrar, pois acredito que, logo que te consigas soltar do que te mata, o teu ritmo de descoberta e esclarecimento será muito mais rápido que o meu. Porque eu vou questionando e atrasando o passo a cada momento que vivo. Porque tu o fazes muito menos e és muito mais decidida que eu. Irónico é apenas o facto de que, neste preciso momento, não o estás a ser. Não percebes e temo que jamais perceberás o que te amo, pois vivemos um amor platónico. Não percebo e temo que jamais perceberei, porque o vivemos.

sexta-feira, agosto 14, 2009

O inimigo público

Por mais que exercite o meu cérebro em busca de uma justificação para o que me parece injustificável, não encontro qualquer réstia de clarividência. É difícil tentar perceber tudo. O Mundo como o conhecemos, as pessoas como as vemos e as atitudes como as lemos. São demasiadas incógnitas numa equação complexa e da qual não se conhece resultado certo. Baralhamo-las na expectativa de que façam mais sentido dessa forma, mas estas retribuem-nos com uma ainda maior complexidade na equação. Muitos resistem à frustração desta procura incessante e quase sempre inglória. São os que se importam e que se alimentam de novas perguntas que vão formulando apesar de não terem ainda encontrado qualquer resposta para as questões anteriores. Outros não resistem, deixam de se importar e rendem-se a um adversário maior no qual se apoiam e esperam ajuda na definição do rumo das suas vidas. Deixam de questionar e passam a responder a uma entidade que vêem como maior, um sistema perfeitamente enraizado e aculturante. Não fosse o meu gosto pelo desafio (ou será mais adequado chamar-lhe teimosia?) e percebia-os na perfeição. É legítimo poupar energias e fugir quando o adversário nos dobra em força e tamanho. Mas já a minha mãe enquanto viva me acarinhava dizendo-me “teimoso como uma mula”. Pensava ela tratar-se de uma educação pela negação que me levaria a tornar-me um adolescente mais tolerante e respeitador das ideias dos outros. Mal sabia ela, coitada, que a ofensa me fortalecia na definição de uma personalidade questionadora e embrutecida nos alicerces da própria razão, ou daquela que pensava ter em doses desmesuradas, não fosse eu isso mesmo, um adolescente que á semelhança de qualquer outro, cria um Mundo à sua imagem para onde se muda de malas e bagagens para nunca mais voltar. De uma forma peculiar (quiçá irracional e intolerável num homem da minha idade), ainda vivo entre esse Mundo e este. Ora me refugio na minha dimensão da razão perante um qualquer problema ou questão e crio uma resposta a meu bel-prazer, ora enfrento esses adversários que a quase todos dobram em força e tamanho e dou a luta que posso. Alguns são realmente fortes, confesso. Não tanto pela sua dimensão física ou peso hierárquico numa qualquer estrutura piramidal, seja esta social ou profissional, mas pela sua verborreia decrépita e ofensiva para quem pensa de forma inteligente. Arremessam-nos com autênticos petardos lançados das suas catapultas de insensatez e falta de bom senso (para não falar em pura idiotice, que poderia ser também considerada terminologia ofensiva e pouco democrática), e só uma muralha bem firme e alta resiste a este ataque. Assumindo que a edificamos e fortalecemos todos os dias com o nosso conhecimento e maturação, resistiremos sem grande esforço a estes ataques insípidos e quase confrangedores. Anuindo que o não fazemos, poderemos estar fragilizados e quase sentir o cheiro putrefacto do nosso corpo atingido mortalmente por um desses petardos. Porque, confesso, estes adversários podem ser fortes. Diz-me a experiência do confronto regular com tal inimigo, que a moderação é a chave para a estocada mortal que, um dia, lhe desferirei. É nesse mesmo registo que o inimigo se move e é com as mesmas armas que o deveremos combater. Sim, é desgastante desempenhar um papel de faz-de-conta que nos remete para o universo da hipocrisia. “Quem não sente, não é filho de boa gente”, dizia também a minha mãe e estava carregada de razão. Ter que usar as mesmas armas que o adversário, tendo-o visto anteriormente a manipulá-las com mestria na tortura de outros, e assumir que agora temos de ser um pouco como ele, é algo que me comove e me revolta um estômago frágil. Por mais que o sinta e em nada me enobreça tal escolha, sei que as armas da razão, em ambiente hostil e minado, servem de pouco mais que luvas brancas que moem mas não matam. As armas da razão usam-se entre iguais, dando estatuto vitorioso a quem melhor as esgrime. Neste caso, de nada servem. A escolha é única e passa pela moderação. A moderação que usarei enquanto descasco as fraquezas do inimigo. A mesma moderação que usarei para expor e deixar a nu a sua personalidade maquiavélica. Ocorre-me chamar-lhe de coitado, pois não é mais do que fruto de uma insegurança latente que teme que outros percebam. Mas não o chamarei de coitado. É o meu adversário e inimigo. É o homem que tenho de combater com todas as forças que tenho e com as armas que ele próprio me ensinou a manejar. Auxiliar-me-ei da razão ao esgrimir argumentos com adversários nobres e astutos de inteligência. Esta é uma batalha (ou deverei dizer, uma guerra) suja, nauseabunda nos seus argumentos baixos diariamente usados. Mas as batalhas (ou as guerras), na forma como tradicionalmente as conhecemos quando opõem quaisquer gregos e troianos, também o são. Mesmo quando legítimas e necessárias. Vou partir para esta batalha (ou guerra) com a perfeita consciência que estou e ficarei ainda mais sujo. Mas como diria a minha mãe, “se não podes vencê-los, junta-te a eles” e estava carregada de razão. Não o vencerei porque não lhe roubarei o sopro da vida e outros, depois de mim, viverão um sentimento semelhante ao meu. Mas juntar-me-ei a ele, ouvindo a sua insensatez, anuindo com a cabeça perante a idiotice dos seus raciocínios e comentários e, quando bem a seu lado, próximo do tapete que pisa com o mesmo desdém que pisa o restante Mundo onde habita, tirar-lho-ei debaixo dos seus pés. Sei que cairá desamparado e poucos (ou talvez ninguém) quererão amparar-lhe a queda. Ficará com algumas mazelas que sararão com o tempo e com uma eventual e promissora introspecção que logo se desvanecerá no seu egocentrismo utópico e pardacento. Mas recuperará. E eu, recuperarei da mesma forma, não de qualquer queda ou mazela mas da desmotivante senda de privação com ele e que durou alguns meses. E das promessas que fiz a mim próprio e aos que me rodeiam e que tive de suspender. E da minha integridade que gosto de pensar imaculada e que agora verguei enquanto me baixava para escolher as mesmas armas que o meu adversário. E recuperarei. “O que não nos mata, torna-nos mais fortes”, já dizia a minha mãe. E estava carregada de razão.

quarta-feira, agosto 05, 2009

Faith...

Amanhã será o dia em que estarei feliz. E igualmente triste. Amanhã será o dia em que voltarei a ver a minha filha, depois de cinco dolorosos dias sem aquele sorriso traquina e olhos enormes de mel, que me alimentam a alma de amor e o corpo de serenidade. E será o dia em que não poderei, mais uma vez, conhecer alguém muito especial que me tem dado algo semelhante a um sentimento de prosperidade e crença em mim próprio. Amanhã será o dia em que abraçarei aquele corpo franzino de criança e sentirei o cheiro da sua pele pura, exalando pelos seus poros pequeninos o odor dos meus próprios genes que a trouxeram à vida. E será o dia em que não ouvirei aquela voz doce e tranquila, aquele riso contagiante e divertido de quem está bem com a vida, com a sua integridade de mulher e com a sua alma igualmente próspera de quem constrói um novo futuro do nada, suportando em alicerces fortes de tudo. Amanhã será o dia em que brincarei e me esquecerei que sou um adulto preocupado com tudo o que de menos importante há na vida, que rebolarei na relva como uma criança que também gosto de ser, perdido em mil risos que emergirão de dentro de mim mesmo, navegando no amor que tenho pela minha filha. E será o dia em que não poderei ver o seu olhar exótico e sentir a sua energia duradoura e contribuir para que a sua festa com amigos possa ser ainda mais importante, porque é dessa importância da amizade e do amor pelos outros que ela, esta mulher linda, é feita. Amanhã será o dia em que adormecerei tranquilo sabendo que perto de mim dorme a minha maior fortuna, o meu ar, o meu ser, a minha coragem para viver, e não mais um dia em que adormecerei estarrecido pela incerteza da minha própria existência mundana, insípida e desinteressante. E será o dia em que não poderei ser igualmente feliz por estar com a minha amiga. Amanhã será o dia em que amarei e serei amado. E será o dia em que poderia igualmente fazê-lo e sê-lo. Amanhã será o 13.572 dia da minha vida, um dia importante porque esterei vivo e a amar aqueles que amo. E será o dia em que não verei a minha amiga mas em que lhe prometerei que, em qualquer outro dia da minha vida e por muitos outros que se seguirão, também a quererei amar.