«A minha máquina de escrever é o meu psicanalista»
Hemmingway
(impossível de conferir a esta frase a mesma profundidade, caso ele tivesse dito "O meu computador portátil...")
sexta-feira, dezembro 21, 2007
quarta-feira, dezembro 05, 2007
Só sei que nada sei... mas tudo cheiro.
É intenso o que sei que sinto. Um sentimento intenso entranhado num perfume de cor pálida mas fresca quando nele bate a luz duma manhã de Verão. Porquê um sentimento entranhado num perfume? Porque de perfumes somos feitos e é para os cheirar que vivemos. Cheiramos a tudo e a nada. Como sentimos por tudo e por nada.
A nossa pele embrulha-nos confortavelmente e rouba-nos a transparência que temos por baixo. E porque se mostra e não quer deixar de ser notada se, irreflectidamente, por falta de forças, descerrar o nosso corpo, enche-se de cheiro. Do nosso cheiro. Acre, doce, de pantone indefinido e pouco mais adjectivável do que isso. Moléculas soltas de átomos amantes que, isolados, nos cheirariam bafientos, como um qualquer trapo engavetado num armário esquecido num sotão. De tão pequenas, assaltam-nos facilmente sem que as detectemos. Depois, vêm os sintomas: acendem-nos o desejo e a paixão. Porque não as vemos a olho nú ou mesmo ampliadas exponencialmente por um óculo lenticular, e evitamos esses sintomas quando inapropriados, despropositados e com um timing errado? E se tal nos fosse permitido por Deus, por um Deus que teima em mostrar-se vivo e zelador? Queriamo-lo? Ou permitiriamos a sua intrusão, como promessa vaga de corda forte que nos emergiria à tona, para respirar, para de cor pintar o dia e os sentimentos? Sabemo-lo?
É destes perfumes que somos feitos. Variados, coloridos, de composição molecular complexa não o fossem também os desejos e as paixões. Daí que, se o pensarmos, nos ilustremos enquanto seres casuais, mascarados numa multidão indiferenciada, também ela de nariz em riste, virado ao céu. Porque queremos viver cheirando. Cheirando as peles dos outros, cheirando o ar onde estas se cruzam e embrenham, perdendo-se cada uma delas, definitiva e posicionalmente no aroma de outra pele que logo ocupa o seu lugar então deixado vago. E mesmo assim, queremos mais. Mais cheiro, mais odor, mais aromas cuja vertigem nos enebrie ou até mesmo idiotize. Existirá maior imbecilidade que o desígneo do tal Deus que atribui a uma mera cartilagem forrada de uma pele fina a que chamamos nariz, o papel de bússola das nossas vontades e astrolábio da estrela ascendente que procuramos para iluminar as nossas vidas? Apenas porque dotou esse nariz de uma infinidade de pontos transmissores de impulsos eléctricos que rumam em excesso de velocidade ao nosso cérebro, e que reflectem depois, quer um esgar facial de nojo se o cheiro interpretado é mau ou uma pele esticada, súbtil, um breve içar de queixo acompanhado por uma inspiração de olhos fechados se o mesmo é bom? Parece-me pouco plausível que assim o seja, caso contrário, se alguma integridade visual e bom-senso Lhe pudessem ser reconhecidos, teria desenhado - sem excepção - esse nariz com contornos mais delicados, forrado com uma outra pele que não pilosa e facilmente ensebável?
(E não adianta que tentem enaltecer a beleza de tal orgão personificando essa intenção através da imagem de uma qualquer Cleópatra. Fala-se que a ilustre raínha gozava de má reputação: assim o via o Marco António e nem por isso o Júlio César. Mau para o primeiro que lhe cheirou a esturro e tomou a liberdade não só de fugir para o Egipto atrás dela e de acabar com a vida de ambos! - para além de que evitou a vergonha e epíteto de “corno manso” em Roma, perante um Júlio César em regozijo, a cantar de galo, apregoando ter comido a adúltera raínha de todos os egípcios. Conta (também) a lenda que nesta altura os banhos eram raros e feitos em águas não correntes, o que permite a ilação ociosa de que cheirariam todos eles muito mal! Vá-se lá perceber donde vinham, nesse caso, os tais desejos e paixões...).
São esses os cheiros mais importantes; aqueles que recebemos das outras pessoas e que, como um cartão de visita dobrado na ponta, vinca a nossa percepção sobre elas, atribuindo-lhes uma presença agradável na qual queremos estar, ou evitando-as, olhando-as de esguelha para que não recaiam em nós os pruridos da sua respiração enquanto falam ou suspendendo a respiração como se de uma maleita virulenta estivessemos a falar e prestes a incubar por contágio no nosso organismo.
Há-os também das flores, os cheiros das flores cujas cores nos puxam a vista e empurram o nariz; quão agradável é respirar o cheiro que emanam e assitir à sua purificação, retirando-lhe o seu registo invariavelmente inodoro ou poluído.
Os cheiros das comidas, no seu estado imaculado ou cozinhado, ou apenas o reflexo das especiarias que as temperam; aqueles aromas que aprendemos a gostar ou crescemos a interpretar e detestar, e que nos fazem enaltecer os feitos familiares dos nossos antepassados.
Há todos estes cheiros, mas nada, mesmo nada se compara ao cheiro do amor. Àquilo que cheiram as pessoas quando amam. Àquele cheiro agridoce, lânguido, encorpado e que nem todos detectam mas todos anseiam saborear. Sabiam-no? Penso ser verdade que só quem ama o reconhece, não apenas em si próprio mas na contemplação bonacheirenta dos outros que amam; naquele olhar arguto de quem tudo compreende mas que reflecte exactamente o oposto; naquele tom de voz arrastado e benevolente, sempre altruísta mas que nos verbera quando injustas as acusações; naquela algaraviada de palavras para descrever um sentimento indescritível junto daquele que amamos ou a quem queremos relatar no fulgor da emoção avassaladora desse amor.
Mas...e o que sei eu do amor? Inevitável a piada fácil do “cheira-me que sabes...”...mas será que sei? Se é de cheiros que nos guiamos e são cheiros que perseguimos, o amor terá, também, um cheiro para quem o não persegue mas fortuitamente encontra num qualquer aroma de flor, timbre de nota musical ou suspiro profundo de amante de uma noite que adormece no nosso peito? Sei-o, de facto. Porque amo todos os dias. Porque sinto o preenchimento sufocante que os poetas tão bem detalham, que muitos exorcisam por o percepcionarem como uma bola de chumbo de grilhetas pesadas que os aprisionam, mas que para quem ama, é a vitória sem desforra, é ás de trunfo numa vida jogada a vasas de palha, sem o qual nos sentimos vazios. Sinto que amo, pois o meu olfacto teima em encontrar mil novos aromas de outras tantas flores com pétalas de cores de arco-íris; os meus ouvidos registam sons que mil objectos disparam em onomatopeia ( são violinos que ouço!) e que me acalmam, em contemplação; o meu peito continua livre, qual abrigo acolhedor das faces ruborisadas após o sexo ou depósito de lágrimas de felicidade e preenchimento.
Não é caso para alarmes ou ansiedades inusitadas por percepção de falta de tempo para ser feliz. Quem o não sentiu, senti-lo-á certamente. Se não por alguém, ser vivo humano e recíprocamente disponível para tão imenso compromisso, por algo, então. A tal música que nos abalroa a alma e nos arrasta para lá da percepção das notas e dos acordes; as tais cores que alimentam os nossos olhos e os lubrificam; o tal sexo suado e luxuriante.
E como o sabem? Como o reconhecerão quando chegar? Pelo cheiro. É no cheiro que acreditamos; no farejo instintivo de uma felicidade latente e expectável porque inevitável. Aparece-nos assim, do nada, e faz-nos perceber que estamos rodeados de aromas de frescura variada, que melodicamente se enlaçam, que ilustram os nossos sentimentos de cores garridas.
Eu, eu só sei que nada sei. Mas cheiro. Isso, sem dúvida. Cheiro.
A nossa pele embrulha-nos confortavelmente e rouba-nos a transparência que temos por baixo. E porque se mostra e não quer deixar de ser notada se, irreflectidamente, por falta de forças, descerrar o nosso corpo, enche-se de cheiro. Do nosso cheiro. Acre, doce, de pantone indefinido e pouco mais adjectivável do que isso. Moléculas soltas de átomos amantes que, isolados, nos cheirariam bafientos, como um qualquer trapo engavetado num armário esquecido num sotão. De tão pequenas, assaltam-nos facilmente sem que as detectemos. Depois, vêm os sintomas: acendem-nos o desejo e a paixão. Porque não as vemos a olho nú ou mesmo ampliadas exponencialmente por um óculo lenticular, e evitamos esses sintomas quando inapropriados, despropositados e com um timing errado? E se tal nos fosse permitido por Deus, por um Deus que teima em mostrar-se vivo e zelador? Queriamo-lo? Ou permitiriamos a sua intrusão, como promessa vaga de corda forte que nos emergiria à tona, para respirar, para de cor pintar o dia e os sentimentos? Sabemo-lo?
É destes perfumes que somos feitos. Variados, coloridos, de composição molecular complexa não o fossem também os desejos e as paixões. Daí que, se o pensarmos, nos ilustremos enquanto seres casuais, mascarados numa multidão indiferenciada, também ela de nariz em riste, virado ao céu. Porque queremos viver cheirando. Cheirando as peles dos outros, cheirando o ar onde estas se cruzam e embrenham, perdendo-se cada uma delas, definitiva e posicionalmente no aroma de outra pele que logo ocupa o seu lugar então deixado vago. E mesmo assim, queremos mais. Mais cheiro, mais odor, mais aromas cuja vertigem nos enebrie ou até mesmo idiotize. Existirá maior imbecilidade que o desígneo do tal Deus que atribui a uma mera cartilagem forrada de uma pele fina a que chamamos nariz, o papel de bússola das nossas vontades e astrolábio da estrela ascendente que procuramos para iluminar as nossas vidas? Apenas porque dotou esse nariz de uma infinidade de pontos transmissores de impulsos eléctricos que rumam em excesso de velocidade ao nosso cérebro, e que reflectem depois, quer um esgar facial de nojo se o cheiro interpretado é mau ou uma pele esticada, súbtil, um breve içar de queixo acompanhado por uma inspiração de olhos fechados se o mesmo é bom? Parece-me pouco plausível que assim o seja, caso contrário, se alguma integridade visual e bom-senso Lhe pudessem ser reconhecidos, teria desenhado - sem excepção - esse nariz com contornos mais delicados, forrado com uma outra pele que não pilosa e facilmente ensebável?
(E não adianta que tentem enaltecer a beleza de tal orgão personificando essa intenção através da imagem de uma qualquer Cleópatra. Fala-se que a ilustre raínha gozava de má reputação: assim o via o Marco António e nem por isso o Júlio César. Mau para o primeiro que lhe cheirou a esturro e tomou a liberdade não só de fugir para o Egipto atrás dela e de acabar com a vida de ambos! - para além de que evitou a vergonha e epíteto de “corno manso” em Roma, perante um Júlio César em regozijo, a cantar de galo, apregoando ter comido a adúltera raínha de todos os egípcios. Conta (também) a lenda que nesta altura os banhos eram raros e feitos em águas não correntes, o que permite a ilação ociosa de que cheirariam todos eles muito mal! Vá-se lá perceber donde vinham, nesse caso, os tais desejos e paixões...).
São esses os cheiros mais importantes; aqueles que recebemos das outras pessoas e que, como um cartão de visita dobrado na ponta, vinca a nossa percepção sobre elas, atribuindo-lhes uma presença agradável na qual queremos estar, ou evitando-as, olhando-as de esguelha para que não recaiam em nós os pruridos da sua respiração enquanto falam ou suspendendo a respiração como se de uma maleita virulenta estivessemos a falar e prestes a incubar por contágio no nosso organismo.
Há-os também das flores, os cheiros das flores cujas cores nos puxam a vista e empurram o nariz; quão agradável é respirar o cheiro que emanam e assitir à sua purificação, retirando-lhe o seu registo invariavelmente inodoro ou poluído.
Os cheiros das comidas, no seu estado imaculado ou cozinhado, ou apenas o reflexo das especiarias que as temperam; aqueles aromas que aprendemos a gostar ou crescemos a interpretar e detestar, e que nos fazem enaltecer os feitos familiares dos nossos antepassados.
Há todos estes cheiros, mas nada, mesmo nada se compara ao cheiro do amor. Àquilo que cheiram as pessoas quando amam. Àquele cheiro agridoce, lânguido, encorpado e que nem todos detectam mas todos anseiam saborear. Sabiam-no? Penso ser verdade que só quem ama o reconhece, não apenas em si próprio mas na contemplação bonacheirenta dos outros que amam; naquele olhar arguto de quem tudo compreende mas que reflecte exactamente o oposto; naquele tom de voz arrastado e benevolente, sempre altruísta mas que nos verbera quando injustas as acusações; naquela algaraviada de palavras para descrever um sentimento indescritível junto daquele que amamos ou a quem queremos relatar no fulgor da emoção avassaladora desse amor.
Mas...e o que sei eu do amor? Inevitável a piada fácil do “cheira-me que sabes...”...mas será que sei? Se é de cheiros que nos guiamos e são cheiros que perseguimos, o amor terá, também, um cheiro para quem o não persegue mas fortuitamente encontra num qualquer aroma de flor, timbre de nota musical ou suspiro profundo de amante de uma noite que adormece no nosso peito? Sei-o, de facto. Porque amo todos os dias. Porque sinto o preenchimento sufocante que os poetas tão bem detalham, que muitos exorcisam por o percepcionarem como uma bola de chumbo de grilhetas pesadas que os aprisionam, mas que para quem ama, é a vitória sem desforra, é ás de trunfo numa vida jogada a vasas de palha, sem o qual nos sentimos vazios. Sinto que amo, pois o meu olfacto teima em encontrar mil novos aromas de outras tantas flores com pétalas de cores de arco-íris; os meus ouvidos registam sons que mil objectos disparam em onomatopeia ( são violinos que ouço!) e que me acalmam, em contemplação; o meu peito continua livre, qual abrigo acolhedor das faces ruborisadas após o sexo ou depósito de lágrimas de felicidade e preenchimento.
Não é caso para alarmes ou ansiedades inusitadas por percepção de falta de tempo para ser feliz. Quem o não sentiu, senti-lo-á certamente. Se não por alguém, ser vivo humano e recíprocamente disponível para tão imenso compromisso, por algo, então. A tal música que nos abalroa a alma e nos arrasta para lá da percepção das notas e dos acordes; as tais cores que alimentam os nossos olhos e os lubrificam; o tal sexo suado e luxuriante.
E como o sabem? Como o reconhecerão quando chegar? Pelo cheiro. É no cheiro que acreditamos; no farejo instintivo de uma felicidade latente e expectável porque inevitável. Aparece-nos assim, do nada, e faz-nos perceber que estamos rodeados de aromas de frescura variada, que melodicamente se enlaçam, que ilustram os nossos sentimentos de cores garridas.
Eu, eu só sei que nada sei. Mas cheiro. Isso, sem dúvida. Cheiro.
Tudo ou nada
Escrevo-te a prosa
Não passo a limpo o refrão
Quero-o rude, sujo, genuíno
Como só tu sabes ser e eu não
Vejo o teu nome nele
Em letras minúsculas, sem negrito
Como o quero, sem protagonismos
Não tos dou porque os evito
Pensei que me soubesses
Mais informado sobre o que sentes
Nunca te chamei pela tua verdade
Mas sempre acreditei que não mentes
É um tudo ou nada
É um tudo ou nada que te peço
É um tudo ou nada
É um tudo ou nada
Quis saltar borda fora
Afundar-me no mar da certeza
Esse lá longe, o das ondas sem cor
Fugir desta crença na deusa
Prestar culto e vassalagem
Não é sinónimo de escravidão
Adoro formar um conjunto
Antónimo de solidão
Quero-te pelo que és
O teu registo como o chamo
Esqueço tudo o que é mesquinho
Quando me lembro que te amo
É um tudo ou nada
É um tudo ou nada que te peço
É um tudo ou nada
É um tudo ou nada que mereço
Não passo a limpo o refrão
Quero-o rude, sujo, genuíno
Como só tu sabes ser e eu não
Vejo o teu nome nele
Em letras minúsculas, sem negrito
Como o quero, sem protagonismos
Não tos dou porque os evito
Pensei que me soubesses
Mais informado sobre o que sentes
Nunca te chamei pela tua verdade
Mas sempre acreditei que não mentes
É um tudo ou nada
É um tudo ou nada que te peço
É um tudo ou nada
É um tudo ou nada
Quis saltar borda fora
Afundar-me no mar da certeza
Esse lá longe, o das ondas sem cor
Fugir desta crença na deusa
Prestar culto e vassalagem
Não é sinónimo de escravidão
Adoro formar um conjunto
Antónimo de solidão
Quero-te pelo que és
O teu registo como o chamo
Esqueço tudo o que é mesquinho
Quando me lembro que te amo
É um tudo ou nada
É um tudo ou nada que te peço
É um tudo ou nada
É um tudo ou nada que mereço
segunda-feira, dezembro 03, 2007
Over Again
Why do I feel the same
I thought the cards had changed,
The roulette spins again
But it´s kind the same game
Over and over again
A couple of days I´ve blessed
Since the last one I recall
But it seems no time at all
Meantime the truth has passed
Over and over again
And I keep pushing those images from my mind
Covering with concrete what was hiding in sand
That new face that was hard to find
Knowing it stole what´s mine by right,
ripped it from my hand,
flushed it out of my sight
Oh
Now is just a rumor
Then is just a gossip
I cannot understand
Oh
Over and over again
Feels like I´m the one in charge
On deciding what´s right or wrong
On writing the same old new song
This suit is short in stead of large
Over and over again
And I keep pushing those images from my mind
Covering with concrete what was hiding in sand
It´s still around after all this time
Performing a ghost in a leading role,
Smiling through me, invading my privacy
Corrupting my heart and soul
Oh
Now is just a rumor
Then is just a gossip
I cannot understand
Oh
Over and over again
I thought the cards had changed,
The roulette spins again
But it´s kind the same game
Over and over again
A couple of days I´ve blessed
Since the last one I recall
But it seems no time at all
Meantime the truth has passed
Over and over again
And I keep pushing those images from my mind
Covering with concrete what was hiding in sand
That new face that was hard to find
Knowing it stole what´s mine by right,
ripped it from my hand,
flushed it out of my sight
Oh
Now is just a rumor
Then is just a gossip
I cannot understand
Oh
Over and over again
Feels like I´m the one in charge
On deciding what´s right or wrong
On writing the same old new song
This suit is short in stead of large
Over and over again
And I keep pushing those images from my mind
Covering with concrete what was hiding in sand
It´s still around after all this time
Performing a ghost in a leading role,
Smiling through me, invading my privacy
Corrupting my heart and soul
Oh
Now is just a rumor
Then is just a gossip
I cannot understand
Oh
Over and over again
Subscrever:
Comentários (Atom)