Quis voltar atrás na decisão
Recuar perante o inevitável
Deitar mão ao que lhe escapou
Que por entre os dedos, lhe caiu e se evaporou
Procurou por todo o lado
Do longe fez o perto e desperto
Abriu os olhos para ver
Mas não havia nada a fazer
Viu-se ridículo aos olhos do Mundo
Um agiota de sentimentos
Que descobre que as apostas são erradas
Quando as cores das cartas estão tapadas
Olhou para o lado mas não viu
Dissecou o horizonte e nada aconteceu
Nem um amanhecer espreitou do mar
Nem um simples pássaro quis voar
Pensou então na solução
Como quem vê num rumo um sentido
Abriu o olhar e deitado lhe ocorreu
Que nunca a direcção ela lhe deu
E pôs-se a olhar para o céu
Onde nada acontecia há muito tempo
De onde já não brilhava qualquer estrela
De onde retirou as tintas para a tela
E viu-a desenhada
Em pose que o seduziu
Na silhueta que a sua boca provou
Na cor de pele que a sua mão tacteou
Chamou-o para junto de si
Ele largou o chão que pisava
Lançou-se ao ar qual acrobata
“O que me dói já não me mata”
“Venho para ficar
Não faz sentido procurar-te
Fi-lo por mil anos que vivi
Nunca por mulher alguma sofri
Mas o sentido errado às coisas deve
A razão é inimiga dos amantes
É melhor a solidão que a atitude
Procurar iguais não é virtude
A paixão encontra-se em latitude”.
quinta-feira, julho 31, 2008
quarta-feira, julho 30, 2008
Terra Prometida
Porque te falta a coragem para mudar
Largares amarras e partires para onde queres
Onde possas gritar o que disseres
Sem teres medo que censurem a tua vontade.
Serias mais feliz do que pensas
Pois nada daquilo de que foges hoje existirá
É local dos sedentos de viver mas onde fome não há
Pois o que alimenta é abundante e com sabor.
Vai e segue tudo o que intentas
Mesmo que o medo te afronte com questões
Mesmo que o mar esteja infestado de tubarões
Lembra-te que é pelo ar que vais chegar.
Terra prometida
Terra com vida
Terra de encantar.
Vais saber ao que vieste
Tudo o que te pesa dentro se revelará
O sentimento de vazio se extinguirá
E mais ar poderás respirar.
Por tudo isso e medo a menos
Irás rir de tudo o mais que te atormenta
Tudo olharás em câmara lenta
E a tua vida comandarás.
Terra prometida
Terra com vida
Terra de encantar.
Terra prometida
Terra com vida
Terra lar
Terra de encantar.
Largares amarras e partires para onde queres
Onde possas gritar o que disseres
Sem teres medo que censurem a tua vontade.
Serias mais feliz do que pensas
Pois nada daquilo de que foges hoje existirá
É local dos sedentos de viver mas onde fome não há
Pois o que alimenta é abundante e com sabor.
Vai e segue tudo o que intentas
Mesmo que o medo te afronte com questões
Mesmo que o mar esteja infestado de tubarões
Lembra-te que é pelo ar que vais chegar.
Terra prometida
Terra com vida
Terra de encantar.
Vais saber ao que vieste
Tudo o que te pesa dentro se revelará
O sentimento de vazio se extinguirá
E mais ar poderás respirar.
Por tudo isso e medo a menos
Irás rir de tudo o mais que te atormenta
Tudo olharás em câmara lenta
E a tua vida comandarás.
Terra prometida
Terra com vida
Terra de encantar.
Terra prometida
Terra com vida
Terra lar
Terra de encantar.
sexta-feira, julho 25, 2008
Vista
Desejei que existisse uma varanda
Com vista para o refúgio
Onde te sentes feliz
E onde morar não quis.
Podia espiar-te a intimidade
Despir-te com o olhar
Saber com quem estás agora
Porque já chegou a hora.
Pelo menos
Saberia de ti
Viveria mais calmo…
Tenho uma certeza
Com a qual anseio
Que me diz o que já sei
Um dia te encontrarei.
E até sei o que dirás
No teu jeito ansioso
O que tens feito, afinal
Estás bem, etc. e tal
Acho que vou responder
Que a vida me corre bem
Que continuo a correr
Em busca daquilo que quero viver.
Tu consegues dir-me-ás
És forte e vais vencer
Foi pena não termos lutado
Juntos para o ver acontecer.
Pelo menos
Saberia de ti
Viveria mais calmo
No destino que escolhi.
Com vista para o refúgio
Onde te sentes feliz
E onde morar não quis.
Podia espiar-te a intimidade
Despir-te com o olhar
Saber com quem estás agora
Porque já chegou a hora.
Pelo menos
Saberia de ti
Viveria mais calmo…
Tenho uma certeza
Com a qual anseio
Que me diz o que já sei
Um dia te encontrarei.
E até sei o que dirás
No teu jeito ansioso
O que tens feito, afinal
Estás bem, etc. e tal
Acho que vou responder
Que a vida me corre bem
Que continuo a correr
Em busca daquilo que quero viver.
Tu consegues dir-me-ás
És forte e vais vencer
Foi pena não termos lutado
Juntos para o ver acontecer.
Pelo menos
Saberia de ti
Viveria mais calmo
No destino que escolhi.
quinta-feira, julho 24, 2008
Ode às palavras
Salto de uma canção para outra
Entoando-as como as sinto
Frívolas na personalidade
Vingativas na crueldade
Tão verdadeiras, que lhes minto.
Esventram-me como adagas
Punhais luzidios que ferem de morte
E não são mais que palavras
Lamentos vis em rimas parvas
Duma alma que me coube em sorte.
De mim
Para alguém
Ou para mim.
É uma missão que sei ingrata
Um masoquismo do ser
Exorcismos não me libertam
Dos demónios que me cercam
E com quem sei conviver.
E sei que alguém entende
Sei que toco em alguém
Não foi por encomenda ou pedido
Por conversa que tenha tido
Ou em que tenha estado também.
De mim
Para alguém
Ou para mim.
Disse um dia ao Amigo
Que isso me faz feliz
Mas não é mais importante
Que a certeza gratificante
De conhecer quem o diz
É a mim que reconheço
Em cada dia que passa
Nas palavras que não digo
Virado para o meu umbigo
Sem esperar que alguém o faça.
De mim
Para alguém
Ou para mim.
Entoando-as como as sinto
Frívolas na personalidade
Vingativas na crueldade
Tão verdadeiras, que lhes minto.
Esventram-me como adagas
Punhais luzidios que ferem de morte
E não são mais que palavras
Lamentos vis em rimas parvas
Duma alma que me coube em sorte.
De mim
Para alguém
Ou para mim.
É uma missão que sei ingrata
Um masoquismo do ser
Exorcismos não me libertam
Dos demónios que me cercam
E com quem sei conviver.
E sei que alguém entende
Sei que toco em alguém
Não foi por encomenda ou pedido
Por conversa que tenha tido
Ou em que tenha estado também.
De mim
Para alguém
Ou para mim.
Disse um dia ao Amigo
Que isso me faz feliz
Mas não é mais importante
Que a certeza gratificante
De conhecer quem o diz
É a mim que reconheço
Em cada dia que passa
Nas palavras que não digo
Virado para o meu umbigo
Sem esperar que alguém o faça.
De mim
Para alguém
Ou para mim.
terça-feira, julho 22, 2008
Ode aos sentidos
Vejo-me a pisar a relva descalço e a sentir a humidade
Da lua cheia numa noite de Verão
A mergulhar na água quente que a maré vai abanando.
Ouço-me em voz na canção que então prefiro
Sentado no meu palco vazio
A saltar para o mar de gente que me quer mais que ninguém.
Cheiro-me no odor do suor depois do sexo
Enquanto fumo na varanda sobre a cidade
A lembrar o meu passado com desdém.
Provo-me no sal da tua pele e no que esta brilha ao sol
Lembro que a disseste doce como mel
A certeza que tenho de que ambos somos um só.
Sinto-me bem com as coisas e com o meu Mundo
Pouco noto do escárnio a que o remetem
A minha vida está no ar fresco que respiro.
E ando por onde quero
E canto para me ouvir
Faço amor com quem tenho
Sou um viajante sem guarida
Que faz da chegada a partida.
Da lua cheia numa noite de Verão
A mergulhar na água quente que a maré vai abanando.
Ouço-me em voz na canção que então prefiro
Sentado no meu palco vazio
A saltar para o mar de gente que me quer mais que ninguém.
Cheiro-me no odor do suor depois do sexo
Enquanto fumo na varanda sobre a cidade
A lembrar o meu passado com desdém.
Provo-me no sal da tua pele e no que esta brilha ao sol
Lembro que a disseste doce como mel
A certeza que tenho de que ambos somos um só.
Sinto-me bem com as coisas e com o meu Mundo
Pouco noto do escárnio a que o remetem
A minha vida está no ar fresco que respiro.
E ando por onde quero
E canto para me ouvir
Faço amor com quem tenho
Sou um viajante sem guarida
Que faz da chegada a partida.
segunda-feira, julho 21, 2008
Lisboa
Diz-se que tens um rio que te lava as formas
E que serve de cenário aos teus dramas e paixões
Que corre rumo ao mar frio que vês ao longe
E que nele se funde em vagas e mil turbilhões
Marcas o teu passo se um dia de Verão te aquece
Corres com a chuva que entope sarjetas e vielas
Deixas que o teu humor oriente as nossas vidas
E partilhas os segredos que escondemos nelas
És parte de mim sendo parte de todos
Os que te pisam sem te querer magoar
Que se perdem nas entranhas da tua idade
Mas que juram nunca te querer deixar
Cidade encanto, és tu Lisboa
Ninho do incerto, dum pássaro que voa.
E que serve de cenário aos teus dramas e paixões
Que corre rumo ao mar frio que vês ao longe
E que nele se funde em vagas e mil turbilhões
Marcas o teu passo se um dia de Verão te aquece
Corres com a chuva que entope sarjetas e vielas
Deixas que o teu humor oriente as nossas vidas
E partilhas os segredos que escondemos nelas
És parte de mim sendo parte de todos
Os que te pisam sem te querer magoar
Que se perdem nas entranhas da tua idade
Mas que juram nunca te querer deixar
Cidade encanto, és tu Lisboa
Ninho do incerto, dum pássaro que voa.
True or False
I´ve been your favourite for an unbearable long time
Maybe too much time, too much hope, too much trust
We both felt this was not convenient or even supposed to happen
So we barely gave our minds and bodies in lust
Even that cordless guitar in a forgotten corner of your living room
Sang our song at the limit of our words and tears
Asked the piano to join it in a sad and reckless lullaby
For so much time as possible in those forgotten years
Those walls reflected the shadows of or silhouettes
Either making love in the carpet or just passing by
And even the portraits left their marks on the paint
Something we couldn´t do before our love whispered goodbye
True or false
Ask yourself the question
You wouldn´t dare
True or false
I´ve passed the limits of my great and known capacity
To enjoy this playful game with no rules or password
Used to play with the smallest pawn but now I´m hiding the king
Feel like I´m loosing any logic and becoming a nerd
Safety is no longer a threat and danger is definitely a wish
For any urgent matter I´ve got no answer or question at all
Any message I´m confronted with gives me the creeps
And I´m used to turn my face against the wall
I will no longer take you as you are
When you tie me in with apologise bonds
So for anything you need you´ll have to buy it
Cause I finally understand life do´s and don’t´s
True or false
Ask yourself the question
I won´t care
True or false
Maybe too much time, too much hope, too much trust
We both felt this was not convenient or even supposed to happen
So we barely gave our minds and bodies in lust
Even that cordless guitar in a forgotten corner of your living room
Sang our song at the limit of our words and tears
Asked the piano to join it in a sad and reckless lullaby
For so much time as possible in those forgotten years
Those walls reflected the shadows of or silhouettes
Either making love in the carpet or just passing by
And even the portraits left their marks on the paint
Something we couldn´t do before our love whispered goodbye
True or false
Ask yourself the question
You wouldn´t dare
True or false
I´ve passed the limits of my great and known capacity
To enjoy this playful game with no rules or password
Used to play with the smallest pawn but now I´m hiding the king
Feel like I´m loosing any logic and becoming a nerd
Safety is no longer a threat and danger is definitely a wish
For any urgent matter I´ve got no answer or question at all
Any message I´m confronted with gives me the creeps
And I´m used to turn my face against the wall
I will no longer take you as you are
When you tie me in with apologise bonds
So for anything you need you´ll have to buy it
Cause I finally understand life do´s and don’t´s
True or false
Ask yourself the question
I won´t care
True or false
sexta-feira, julho 18, 2008
Diapasão e relatos de amizade
"My friend, Só para te dizer que sou teu fã!!!
Quando leio estes (e outros) poemas teus, fico realmente com a vontade que já te expressei várias vezes (apesar de teres sempre cagado no assunto!!!) de seres o 5º elemento dos FLIRT!!! Escrever "poesia" é um exercício muito violento para mim. Tenho imensa vontade de me exprimir, como sabes, e a concretização desta "veia" artística tem trazido à superfície este desejo, se calhar algo narcísico, de exposição, mesmo do meu interior… mas as vias que encontro para o fazer soam-me sempre melhor quando não são através da poesia…
E depois acho que tens realmente um dom nesta matéria!!! E se um dia quando for mais velho conseguir olhar para trás e dizer "eh! Pá, ouve uma altura em que tive uns discos meus à venda na FNAC e até dei uns concertos e até toquei no coração de algumas pessoas", gostava muito que pudesses dizer o mesmo! Isso deve ser realmente o que importa, mais do que o dinheiro ou a carreira ou essas merdas.
Por isso meu caro, mantenho o repto. De seres o letrista oficial dos FLIRT!!! Vai dar trabalho, vai exigir dedicação, mas cada vez mais acredito que mesmo sem conseguirmos (ambos) mudar o mundo com aquilo que estamos a fazer (do ponto de vista artístico) somos bem capazes de mudar o tempo de algumas almas que anseiam desesperadamente que cheguemos até elas. Podem até ser meia dúzia, mas estão lá de certeza!"
(e-mail do meu amigo Ricardo para mim, em 18/07/08)
" My friend,
Muito obrigado pelas tuas palavras. Sabes bem como estas são importantes para mim, não só pelo respeito pessoal mútuo implícito na nossa amizade, mas também – se bem que menos importante -, pelo incentivo que me dão para continuar a escrever. Eu, poeta comummente frustrado com o tempo que a vida pessoal e profissional me roubam à paixão da escrita, sou sensível ao facto de os meus poemas estarem a tocar alguém, no seu âmago, naquela que é também, para esses, a sua interpretação da vida e dos momentos.
Mas vou um pouco mais longe. É nesse reconhecimento, nesse elogio e incentivo que reconhecemos ter o dom e essa capacidade de comunicar. É verdade. Mas o mais curioso nesta coisa do “escrever”, é quando sentimos que aquilo que estamos a materializar em palavras e textos ordenados ou perfeitamente assimétricos, é, de facto, fruto de nós, daquilo que é estranho e fascinante e que temos cá dentro, e que poucos (ou nenhuns) para além de nós próprios, entende. E essa é a verdadeira celebração. O facto de que, mais do que sermos entendidos e de tocarmos e de chegarmos a alguém, conseguimos, primeiro que tudo, chegar a nós próprios e ao entendimento que fazemos da nossa existência. É, certamente, não só um sentimento narcísico, mas um sentimento tremendamente egoísta, pois são as nossas próprias dúvidas que esclarecemos primeiro, e só depois, então, “ajudamos” alguém que reconhece nas nossas palavras, as suas próprias palavras.
Mais duas coisas.
Em primeiro lugar, sempre me senti o 5º! Omnipresente, pouco presente e muitas vezes ausente face às incumbências “sociais e familiares” que me cabem, mas sempre grato por poder dizer as minhas coisas a quem quer que ouça o som dos Flirt. E essa oportunidade já me foi dada por vocês, influenciada pela tua própria liderança neste grande projecto. Um mesmo sonho que os Flirt partilham, que está prestes a tornar-se revelação, mas que será sempre um projecto no sentido em que é moldável às vossas próprias vidas e àquilo que decidam fazer delas. E o simples facto de permitirem que tenha algo a “dizer” nesses momentos só vossos, tornam esses momentos também meus, e me fazem reconhecer que estou lá, junto de vós, a sentir o mesmo arrepio.
E não faz sentido ser “oficial” de nada, pois essa palavra tende a ser interpretada como “exclusivo”. E nada mais ilógico poderia ser o facto de as minhas mensagens, em menor ou maior proporção, fazerem qualquer tipo de sombra às tuas próprias mensagens. E sabes porquê? Porque também tu tens este dom, pois pautas a tua escrita e orientas os caminhos que esta desbrava, com o mesmo tipo de leme que eu seguro nas mãos quando embarco em tamanhas aventuras. Quando começas a escrever, tens o mesmo “briefing” que eu. Um briefing que é passado pela nossa alma, pela nossa existência, pelo nosso inconformismo, pelas imagens que só os nossos olhos vêem.
Quanto muito, aceitarei o teu repto no compromisso tácito de ambas as mensagens se complementarem, coexistirem e em conjunto, conseguirem chegar perto de muitas mais pessoas, para além de, como referi, conseguirem chegar ainda mais perto de nós próprios. Tal como já aconteceu neste álbum, onde através da tua voz, consegui reencontrar-me. Desta forma, aceito o teu repto.
Depois, meu caro, grande e já “velho” amigo, nós já mudámos o tempo dessas almas e das nossas. Pois tempo demora este nosso exorcismo perpétuo através da escrita, apesar do paradigma irónico de que, quando escrevemos, o tempo corre, suspenso, para trás, rejuvenescendo-nos através da viagem que nos permite fazer rumo ao destino dos nossos valores e da nossa inocência. E esses estão “lá atrás”, onde os deixámos antes de nos consumirmos pela nossa própria existência actual. Mas é nesses que nos apoiamos quando escrevemos. Porque escrevemos melhor assim. De forma intemporal.
Um abraço.
MF"
(a minha resposta ao e-mail do Ricardo, nesse mesmo dia)
Quando leio estes (e outros) poemas teus, fico realmente com a vontade que já te expressei várias vezes (apesar de teres sempre cagado no assunto!!!) de seres o 5º elemento dos FLIRT!!! Escrever "poesia" é um exercício muito violento para mim. Tenho imensa vontade de me exprimir, como sabes, e a concretização desta "veia" artística tem trazido à superfície este desejo, se calhar algo narcísico, de exposição, mesmo do meu interior… mas as vias que encontro para o fazer soam-me sempre melhor quando não são através da poesia…
E depois acho que tens realmente um dom nesta matéria!!! E se um dia quando for mais velho conseguir olhar para trás e dizer "eh! Pá, ouve uma altura em que tive uns discos meus à venda na FNAC e até dei uns concertos e até toquei no coração de algumas pessoas", gostava muito que pudesses dizer o mesmo! Isso deve ser realmente o que importa, mais do que o dinheiro ou a carreira ou essas merdas.
Por isso meu caro, mantenho o repto. De seres o letrista oficial dos FLIRT!!! Vai dar trabalho, vai exigir dedicação, mas cada vez mais acredito que mesmo sem conseguirmos (ambos) mudar o mundo com aquilo que estamos a fazer (do ponto de vista artístico) somos bem capazes de mudar o tempo de algumas almas que anseiam desesperadamente que cheguemos até elas. Podem até ser meia dúzia, mas estão lá de certeza!"
(e-mail do meu amigo Ricardo para mim, em 18/07/08)
" My friend,
Muito obrigado pelas tuas palavras. Sabes bem como estas são importantes para mim, não só pelo respeito pessoal mútuo implícito na nossa amizade, mas também – se bem que menos importante -, pelo incentivo que me dão para continuar a escrever. Eu, poeta comummente frustrado com o tempo que a vida pessoal e profissional me roubam à paixão da escrita, sou sensível ao facto de os meus poemas estarem a tocar alguém, no seu âmago, naquela que é também, para esses, a sua interpretação da vida e dos momentos.
Mas vou um pouco mais longe. É nesse reconhecimento, nesse elogio e incentivo que reconhecemos ter o dom e essa capacidade de comunicar. É verdade. Mas o mais curioso nesta coisa do “escrever”, é quando sentimos que aquilo que estamos a materializar em palavras e textos ordenados ou perfeitamente assimétricos, é, de facto, fruto de nós, daquilo que é estranho e fascinante e que temos cá dentro, e que poucos (ou nenhuns) para além de nós próprios, entende. E essa é a verdadeira celebração. O facto de que, mais do que sermos entendidos e de tocarmos e de chegarmos a alguém, conseguimos, primeiro que tudo, chegar a nós próprios e ao entendimento que fazemos da nossa existência. É, certamente, não só um sentimento narcísico, mas um sentimento tremendamente egoísta, pois são as nossas próprias dúvidas que esclarecemos primeiro, e só depois, então, “ajudamos” alguém que reconhece nas nossas palavras, as suas próprias palavras.
Mais duas coisas.
Em primeiro lugar, sempre me senti o 5º! Omnipresente, pouco presente e muitas vezes ausente face às incumbências “sociais e familiares” que me cabem, mas sempre grato por poder dizer as minhas coisas a quem quer que ouça o som dos Flirt. E essa oportunidade já me foi dada por vocês, influenciada pela tua própria liderança neste grande projecto. Um mesmo sonho que os Flirt partilham, que está prestes a tornar-se revelação, mas que será sempre um projecto no sentido em que é moldável às vossas próprias vidas e àquilo que decidam fazer delas. E o simples facto de permitirem que tenha algo a “dizer” nesses momentos só vossos, tornam esses momentos também meus, e me fazem reconhecer que estou lá, junto de vós, a sentir o mesmo arrepio.
E não faz sentido ser “oficial” de nada, pois essa palavra tende a ser interpretada como “exclusivo”. E nada mais ilógico poderia ser o facto de as minhas mensagens, em menor ou maior proporção, fazerem qualquer tipo de sombra às tuas próprias mensagens. E sabes porquê? Porque também tu tens este dom, pois pautas a tua escrita e orientas os caminhos que esta desbrava, com o mesmo tipo de leme que eu seguro nas mãos quando embarco em tamanhas aventuras. Quando começas a escrever, tens o mesmo “briefing” que eu. Um briefing que é passado pela nossa alma, pela nossa existência, pelo nosso inconformismo, pelas imagens que só os nossos olhos vêem.
Quanto muito, aceitarei o teu repto no compromisso tácito de ambas as mensagens se complementarem, coexistirem e em conjunto, conseguirem chegar perto de muitas mais pessoas, para além de, como referi, conseguirem chegar ainda mais perto de nós próprios. Tal como já aconteceu neste álbum, onde através da tua voz, consegui reencontrar-me. Desta forma, aceito o teu repto.
Depois, meu caro, grande e já “velho” amigo, nós já mudámos o tempo dessas almas e das nossas. Pois tempo demora este nosso exorcismo perpétuo através da escrita, apesar do paradigma irónico de que, quando escrevemos, o tempo corre, suspenso, para trás, rejuvenescendo-nos através da viagem que nos permite fazer rumo ao destino dos nossos valores e da nossa inocência. E esses estão “lá atrás”, onde os deixámos antes de nos consumirmos pela nossa própria existência actual. Mas é nesses que nos apoiamos quando escrevemos. Porque escrevemos melhor assim. De forma intemporal.
Um abraço.
MF"
(a minha resposta ao e-mail do Ricardo, nesse mesmo dia)
quinta-feira, julho 17, 2008
In passion veritas
Tentei disfarçar
Para que ninguém notasse
Olhei o teu corpo à pressa
antes de ter que voltar.
Não resisti a tentar
Tocar-te de passagem
Mas alguém te levou
e não te quis partilhar.
É vontade que tenho
É com arte e engenho
Que tenho de ter-te assim
Isolada, só para mim.
Tive o choque e a visão
Desta vez em noite fria
Quiseste respirar fundo
Dar a alma em confissão.
Fumavas e falavas
Inconsolável e triste
Perguntavas porquê
E a resposta davas.
Senti vontade de te ter
Naquele momento
Tive-te só para mim
E não tive de o esconder
É vontade que tenho
É com arte e engenho
Que tenho de ter-te assim
Isolada, só para mim.
Dá-te a mim
Vê-me primeiro
Concede-me um segundo
Eu dou-te um mundo inteiro
É vontade que tenho
É com arte e engenho
Que tenho de ter-te assim
Isolada, só para mim.
Como sabes que te quero
Sem princípio, meio ou fim
Isolada, só para mim.
Written by Mário Batista
17/07/08
(dedicada ao meu amigo Ricardo e à celebração das paixões)
Para que ninguém notasse
Olhei o teu corpo à pressa
antes de ter que voltar.
Não resisti a tentar
Tocar-te de passagem
Mas alguém te levou
e não te quis partilhar.
É vontade que tenho
É com arte e engenho
Que tenho de ter-te assim
Isolada, só para mim.
Tive o choque e a visão
Desta vez em noite fria
Quiseste respirar fundo
Dar a alma em confissão.
Fumavas e falavas
Inconsolável e triste
Perguntavas porquê
E a resposta davas.
Senti vontade de te ter
Naquele momento
Tive-te só para mim
E não tive de o esconder
É vontade que tenho
É com arte e engenho
Que tenho de ter-te assim
Isolada, só para mim.
Dá-te a mim
Vê-me primeiro
Concede-me um segundo
Eu dou-te um mundo inteiro
É vontade que tenho
É com arte e engenho
Que tenho de ter-te assim
Isolada, só para mim.
Como sabes que te quero
Sem princípio, meio ou fim
Isolada, só para mim.
Written by Mário Batista
17/07/08
(dedicada ao meu amigo Ricardo e à celebração das paixões)
Não sei
Abusei de ti
Porque sempre quis mandar
Controlar a minha vida
E a de quem me quis amar
Pensava que era assim
Que se geria o amor
Com vontade e egoísmo
Se contornava a dor
Há sempre um pólo mais fraco
Assim ditam os sinais
São contrários porque atraem
Um a menos outro a mais
Decidiste ser silêncio
No barulho infernal
Que trouxe à nossa história
Curta e frágil, afinal
Não me obrigues a falar
Nunca fui de vis lamentos
Muito menos de chorar
Por ferir-te os sentimentos
Não sei
não sei porquê
não sei o quê
Não sei
E não quero saber
Afastei de ti
A ameaça do mal
Mas sei que não percebi
Que me expunha por igual
Às referências que tinha
Das mulheres que conquistei
Juntei preconceitos fúteis
E fiz jus ao que mudei
Compilei todas as negas
Sob a forma de uma espada
Fiz do meu corpo um castelo
Que defendi sem temer nada
Protegi-te nas muralhas
Da minha imaginação
Mas cobrei-te pelo esforço
E larguei-te na solidão
Parti rumo ao conhecido
Sem recordar a magia
Que me enfeitiçou na noite
Que nasceu depois daquele dia
Não me obrigues a falar
Nunca fui de vis lamentos
Muito menos de chorar
Por ferir-te os sentimentos
Não sei
não sei porquê
não sei o quê
Não sei
E não quero saber
Written by Mário Batista
17/07/08
Porque sempre quis mandar
Controlar a minha vida
E a de quem me quis amar
Pensava que era assim
Que se geria o amor
Com vontade e egoísmo
Se contornava a dor
Há sempre um pólo mais fraco
Assim ditam os sinais
São contrários porque atraem
Um a menos outro a mais
Decidiste ser silêncio
No barulho infernal
Que trouxe à nossa história
Curta e frágil, afinal
Não me obrigues a falar
Nunca fui de vis lamentos
Muito menos de chorar
Por ferir-te os sentimentos
Não sei
não sei porquê
não sei o quê
Não sei
E não quero saber
Afastei de ti
A ameaça do mal
Mas sei que não percebi
Que me expunha por igual
Às referências que tinha
Das mulheres que conquistei
Juntei preconceitos fúteis
E fiz jus ao que mudei
Compilei todas as negas
Sob a forma de uma espada
Fiz do meu corpo um castelo
Que defendi sem temer nada
Protegi-te nas muralhas
Da minha imaginação
Mas cobrei-te pelo esforço
E larguei-te na solidão
Parti rumo ao conhecido
Sem recordar a magia
Que me enfeitiçou na noite
Que nasceu depois daquele dia
Não me obrigues a falar
Nunca fui de vis lamentos
Muito menos de chorar
Por ferir-te os sentimentos
Não sei
não sei porquê
não sei o quê
Não sei
E não quero saber
Written by Mário Batista
17/07/08
quarta-feira, julho 16, 2008
Jukuka Mesu
Contam-te milhares de histórias
Na esperança que acredites
Em certezas infundadas
Em regras sem directrizes
Vendem esforços incessantes
De mentira e de verdade
Expondo a vida a desígneos
De gratuita crueldade
E fazem-te crer na imagem
Que deles está em questão
Com telhados que se quebram
Na teoria ... da conspiração.
Abre os olhos
Quem tem de ver és tu
Abre os olhos
Jukuka Mesu
Entre guerras de duendes
Nascem fãs do terrorismo
Sem espada ou punho firmes
Apregoam heroísmo
Em terra sem rei nem roque
Dão um nome ao pecador
Mas a culpa é da história
Do passado colonizador
Apostam no galo forte
Sem saber que o vencedor
Não é o preto ou o vermelho
A vitória é incolor
Quem usou é abusado
Quem criou é ladrão
Quem fugiu é vitimado
Na teoria ... da conspiração.
Abre os olhos
Quem tem de saber és tu
Abre os olhos
Jukuka Mesu
written by Mário Batista
16/07/08
Na esperança que acredites
Em certezas infundadas
Em regras sem directrizes
Vendem esforços incessantes
De mentira e de verdade
Expondo a vida a desígneos
De gratuita crueldade
E fazem-te crer na imagem
Que deles está em questão
Com telhados que se quebram
Na teoria ... da conspiração.
Abre os olhos
Quem tem de ver és tu
Abre os olhos
Jukuka Mesu
Entre guerras de duendes
Nascem fãs do terrorismo
Sem espada ou punho firmes
Apregoam heroísmo
Em terra sem rei nem roque
Dão um nome ao pecador
Mas a culpa é da história
Do passado colonizador
Apostam no galo forte
Sem saber que o vencedor
Não é o preto ou o vermelho
A vitória é incolor
Quem usou é abusado
Quem criou é ladrão
Quem fugiu é vitimado
Na teoria ... da conspiração.
Abre os olhos
Quem tem de saber és tu
Abre os olhos
Jukuka Mesu
written by Mário Batista
16/07/08
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