sexta-feira, fevereiro 27, 2009
Contacto
Fazes a mínima ideia do que me causa o teu contacto? Seja o simples toque da tua mão, aquele abraço meio desiquilibrado ou o breve roçar dos teus seios no meu ombro quando decides saltar o muro que nos separa? Interpelo-te para que mo expliques, não porque precise de quaisquer definições, substantivos ou adjectivos que me enquadrem na realidade, mas porque espero sempre que ajas de uma forma que não a tua. Pura ilusão acreditar que o faças algum dia. Ficar-me-ei pela memória daquele desabafo excitado, naquele dia em que decidiste dar folga aos imensos muros que te protejem. Fizeste-o porque não to perguntei. Porque não te interpelei para que me explicasses. Disseste-o e pronto. Porque te deixaste ludibriar pela tesão ou porque precisaste de ouvir o próprio som da tua voz a assumi-lo. Disseste-o. E eu nada te perguntei. Deveria lembrar-me que este é o segredo para chegar a ti. Deixar que tu própria te encontres e que decidas manifestar-te. Porque o farás se for essa a tua vontade, e jamais esta será condicionada pelas minhas questões, esclarecimentos desnecessários que, acredito, me elucidarão quanto ao que ambos sentimos. Mas hoje senti-te mais próxima de mim. Por dentro e por fora. Porque senti aquele olhar que tudo diz e esconde, porque te cheirei de perto sem conquista de território que a ninguém pertence, porque te toquei no que me permitiste e premeditaste, porque quase aconteceu, porque te abracei e senti-te de volta, porque te beijei onde há muito tempo sonho poder beijar e fui toldado por uma emoção que superou as minhas mais deliciosas fantasias. Porque te senti a chegar e não de partida. Porque te senti presente depois de ausente. Porque te vi rir - e ri-me muito contigo! - sem interpretação de qualquer papel que esperam e desejam de ti. Porque te senti a recuperar o fôlego. E quando nada faço para que tal aconteça, sinto-me desejado por ti. Seja-o pelas minhas palavras, pela minha incapacidade para controlar os segredos e deixar que fluam sentimentos que te alimentam numa altura em que precisas ou pela minha visão transparente e nítida que me permitem ver-te como és e como gostarias de poder ser sempre vista. O que quer que seja, desejas-me por isso. E sinto que, bem lá no meio de todo um jogo de regras viciadas, existe a tal tesão que um dia assumiste. Não sei se tesão de corpo ou de desafio intelectual. Eu, já te expliquei que prefiro que me mintas a teres que assumir algo que ainda te incomoda. E deixo que o faças e anuio, concedendo-te a vitória na batalha consciente que a guerra ainda mal vai a meio. O problema é que geres cada vez pior essa constatação e tentas encontrar nos pequenos pormenores da tua vida a imensa riqueza da tua felicidade. Mas percebes que, apesar de o engrandeceres, não é de grandeza que premeias a tua dedicação. Porque te falta a sintonia, o diapasão que afina os vários instrumentos e se torna a ferramenta essencial para a maravilhosa sinfonia. E se não ouves a sinfonia, sabes que podes continuar a tentar a afinação certa que vos aplauda numa interpretação em uníssono, que podes ensaiar horas a fio o mesmo acorde até que os teus dedos sangrem mas, por mais que o tentes, sabes que falta um maestro. Alguém que visione a forma final com que se conjugam os vários esforços dos intérpretes desta orquestra. E esse maestro não sou eu. És tu própria, sabendo da tua capacidade para o ser mas estando consciente da tua surdez. Por isso, e por tudo o resto, dou-me ao contacto. Ao contacto que me vicia e que te faz zombar, mas pelo qual já sofres por ter.
terça-feira, fevereiro 24, 2009
Jamais
Tive que lhe contar. Pensei e repensei nas razões subjacentes àquele impulso de fazê-lo. Nada concluí. Apenas sei que peguei no iPhone e digitei sem me enganar aquelas poucas palavras que revelaram o (ainda) segredo. "Já sabes da novidade?", escrevi. Parcos minutos passaram até que surgiu no visor a resposta. "Não sei de nada. Estou fora. A que te referes?". Um "Posso ligar?" fez soar novamente o toque de chegada de mensagem. Depois da resposta o toque estridente ecoou por toda a sala, naquela toada que soa sempre a alarme. Atendi e falámos. Contei-lhe tudo, desde as razões para a decisão ao medo do desconhecido. Percebeu-me na íntegra e falou apenas nos momentos em que fazia sentido, remetendo-se àquele "hum" compassado durante o meu relato, num convite ao exorcismo de toda a verdade da minha boca. Naquela que era uma cumplicidade há muito descoberta sem esforço de cultivo que a justificasse, esperou que eu terminasse, suspirou e falou. Disse o que me havia dito no passado e enfatizou o quanto acreditava neste desfecho. Uma redundância, como referiu. Já o havíamos discutido vezes sem conta há uns meses atrás. Terá, concerteza, que ver com a situação que lhe relatei. Mas, inesperadamente, voltei a sentir na sua voz aquele tom suave, onde as palavras saíam quase como que apertadas por uma emotividade reinante num mundo de razão. Voltei a sentir a aspereza da sua respiração que, há não muito tempo, me haviam viciado os ouvidos e tornado diariamente dependente da sua dose mínima de pelo menos 10 minutos. Fez-me jurar que não era outra mulher a razão. Se o fosse, jamais me perdoaria não ter sido ela. Referi-lhe que não, jamais, e pareceu-me ter sido relativamente egoísta ao explicá-lo. "Jamais tu ou outra qualquer mulher influenciariam tal decisão...". Decididamente, fui bruto. Percebeu-me naquela teimosa versatilidade para se adaptar à minha forma de pensar, pois também essa era a sua. Despediu-se com um beijo. Soube naquele instante que a história mal tinha começado. "Jamais", repeti em voz alta.
segunda-feira, fevereiro 23, 2009
Sentido proibido
Que sentido faz darmos mais importância a que gostem de nós que a gostarmos de nós próprios?! Não bastaria que nos sentíssemos solidamente tranquilos com as decisões que tomamos e para as quais pensámos até encontrar a certeza? Em vez de clarificarmos a certeza e o futuro que vislumbrámos definitivamente, porque teimamos em colocá-lo em causa apenas porque nesse futuro não estarão tão presentes os que nos amaram, ou amam, conforme as circunstâncias? Estará em nós a solução ou esta encontra-se camuflada na forma displicente com que nos ignoram aqueles em quem agora depositávamos as nossas esperanças e ansiedades, se as haviam, claro está? Mesmo que tal não lhes exigissemos mas que, de alguma forma, esperassemos destes? E isso é justo? Anteciparmos o que quer que seja sem que para isso tenham sido dados sinais objectivos e concretos sobre...o que quer que seja? A única exclamação que me apetece clarificar no meio de tantas interrogações circunstanciais, é... foda-se para isto tudo!
Pouco claro e de difícil compreensão, certo? Muitas dúvidas nebulosas para as quais não se arrisca conselho, certo? É verdade... também acho.
Pouco claro e de difícil compreensão, certo? Muitas dúvidas nebulosas para as quais não se arrisca conselho, certo? É verdade... também acho.
domingo, fevereiro 22, 2009
O monstro que pariu o rato...
É estranho. Sem grande explicação ou sequer lógica que sustente o que quer que seja, o silêncio instala-se. A frequência repetitiva e crescente do tom e do teor das nossas palavras e testemunhos, nos milhares de minutos partilhados de uma forma viciosa e viciante, dão, súbita e inexplicavelmente, lugar a uma ausência de qualquer tipo de relato, mesmo que ignóbil ou parcamente premeditado. Do escrutínio do sentimento breve e vago, inexplicável mas incontornável, ao sincero reconhecimento de impulsos sexuais descontrolados reflectidos numa dislexia temporária ("Fechava-te num quarto durante 3 dias...", disse-lhe sem conseguir deixar de entorpecer a voz), tudo valia para alimentar este grande e emergente monstro. No que este assusta e no que este possui de força genuína. E eis que, como se fosse possível ignorá-lo ou envenená-lo de morte à refeição, lhe desferem um rude golpe. Uma pancada seca e silenciosa, bem no meio do seu dorso musculado. E este cai por terra, com estrondo, inerte e derrotado, atordoado pela surpresa do ataque com o qual não contaria. Desiludido, magoado pela traição que por uma ou outra vez idealizou mas na qual jamais acreditou, fechou lentamente os olhos num suspiro sofrido, num gemido ténue que afinou com o último sopro de vida. Até que um novo sopro o reanime e o permita erguer-se, se tal sopro existir ou for sua vontade senti-lo.
sexta-feira, fevereiro 20, 2009
Silêncio
Abri a alma ao que me saísse. Não saiu nada. Do mesmo sítio de onde outrora jorraram palavras que relataram memórias, castrações, desígnios e altercações, saiu agora nada. Um silêncio que me converteu à tristeza e à passividade perante uma dor aguda que me dilacerou a alma. À dor que me conseguiste infligir quando disseste aquelas palavras. Fizeste-o de propósito, de uma forma que me leva a pensar que equacionaste premeditadamente mil expressões que sabias poderem ferir-me e que, depois, escolheste aquela que ao fazê-lo libertasse o maior número de estilhaços. Estilhaços que pudessem amputar-me nos meus direitos, dignidade e serenidade. E conseguiste-o. É tua a vitória se é esta que procuras. Não ta reconheço porque a mereças. Faço-o porque quero que, mais tarde, quando a tua dor se evadir em busca de uma nova alma magoada que possa atormentar, as mesmas palavras te causem asco. Na razoabilidade que terás então e agora não. Na clarividência que agora to esconde, mas que te permitirá ver um novo Mundo onde quererás e saberás poder ser feliz. Na nobreza que possuis mas que agora deixas que se esconda no fundo de ti. E quando o perceberes, espero que não seja piedade o primeiro sentimento que te ocorrerá. Apenas uma breve insegurança perante a possibilidade de, também tu, um dia, poderes viver algo semelhante. E que isso te alerte para o facto de que jamais deverás repeti-lo. A nossa história tornou-te perita na arte de magoar. Refina-la a todo o momento, experimentando e testando novas práticas que roçam o sadismo. Acredito nos valores que sempre te reconheci e sei que neste momento, estes são mais fracos que a imensa dor e raiva que sentes por mim. É por tudo isso que sofro e nada sai da minha alma. Nada que te fizesse pagar na mesma moeda. Nada que te magoasse da mesma forma. Porque o amor, descobri-o, não se mede nas exteriorizações de afecto, na frequência com que se diz a palavra que consola mas engana, no dia de aniversário que se recorda antecipadamente. Mede-se, tão apenas, na capacidade de não ferir quando achamos justo fazê-lo e de não deixar de amar quando achamos justo apenas gostar. É por isso que nada digo. Porque te amo. E porque quero que, um dia, voltes a amar.
domingo, fevereiro 15, 2009
Vislumbre
O dia amanheceu diferente. Tão diferente como se durante mil anos tivesse vivido na noite. Numa noite fria, escura, de sons ténues e solitários pontualmente interrompidos por um choro vago, de criança. Despertou para as primeiras horas duma nova existência de outros tantos mil anos, completamente desconhecida e assutadora. Um misto de oportunidade de recomeço e de retiro espiritual auto-induzido. O vislumbre do reencontro com os seus próprios pensamentos, com a sua humanidade e confiança. Ter-se-ão mantido incólumes? Existirão danos irreparáveis? Irrompeu pelos primeiros minutos da madrugada com uma energia quase ofensiva que deixou que fluisse por toda e qualquer palavra que escreveu. Não escrevia depressa, pois eram reflectidas e medidas quaisquer repercussões dessas palavras. Mas escrevia com dor e amor, pois de verdade se inundavam essas palavras, num sopro de devaneio e alegria e excitação e prostração perante o futuro. "A Deus pertence", teria ouvido no passado, num passado agora menos presente. E nesse presente celebrou, erguendo pela primeira vez desde há muito os olhos ao céu, estrelado, imenso e incógnito, como queria que fosse o seu futuro.
sexta-feira, fevereiro 13, 2009
Eles...
Puxei-te para mim e beijei-te no peito, sentindo cada milímetro do teu mamilo entumescido no seu pleno sabor. As minhas mãos marcavam a cadência do teu quadril e daquele vai-e-vem em que o meu sexo te invadia e te explorava em novos lugares. Deixavas que os teus cabelos se emaranhassem por entre os meus dedos e fazias mesmo questão de largar a tua cabeça para trás de forma a que te causasse alguma dor. Em troca davas-me as unhas cravadas nos meus ombros e a pressão dos tuas mãos no cimo do meu tronco. Entre palavras de tesão e adjectivação ordinária que saiam por todos os poros do teu corpo, incitavas-me a que me afundasse cada vez mais em ti e que jamais reduzisse a cadência intrusiva do meu sexo no teu. Não quis que acabasse nunca e esqueci-me que de um mundo estávamos rodeados quando gritei a plenos pulmões pelo teu nome e repeti as definições da tua própria tesão. Nem as batidas fortes no outro lado da parede daquele quarto nos trouxeram à razão. Juraria que nem as ouvimos. Senti que de mim e em mim se gerava um arrepio crescente de lava que se preparava para jorrar pelas encostas do teu interior. Disse-to e abrandaste, percebendo que me querias mais e agora de outra perspectiva. De uma forma quase mecânica e perfeitamente sincronizada, rolámos os nossos corpos molhados e senti que ambos deslizámos, pois reabri os olhos e estava agora por trás de ti. Olhando-te o trio de tinta da tua tatuagem, acariciei-a e puxei-te para mim de forma violenta, quase condenável. Gemeste e suspiraste quando te rasguei o vácuo numa estocada e o repeti de forma progressivamente mais rápida. Reencontrámos o nosso ritmo, aquele que tanto sabíamos que gostávamos e que já era a nossa imagem quando nos amávamos. Disse-to mais uma vez pois pressenti que aquela dor deliciosa se aproximava entre ruídos gritados pelos nossos sexos. Quiseste-me lá dentro e apertaste-me como se esses teus lábios fossem um torno e não aqueles lindos contornos de pele rosada. Sabia que o querias sempre naquela altura e separei-me à força para te saborear na intimidade. O cheiro de nós enebriou-me e a minha boca saboreou-nos em cada centímetro do teu quente e da tua humidade. Contorceste-te convulsivamente por entre esgares de quase dor, mordeste-te nos lábios que pouco tempo atrás haviam albergado o meu sexo e saboreaste-os simultaneamente com aquela tua mania excitante de passar-lhes com a própria língua. Pediste-me que me viesse em ti e que não, não desta vez te fizesse explodir enquanto prisioneiro do teu baixo ventre. Que to fizesse partilhando os meus próprios espasmos e a agonia do abundante orgasmo dentro de ti. Pois em ti ficaria por mais algum tempo, abraçado e sôfrego, assistindo sem ver ao declíneo do meu próprio sexo, até que este ressurgisse novamente para te fazer feliz, ainda dentro de ti ou perdido na imensidão dos teus lábios.
Nós...
Deixei-me cair para trás e suspirei profundamente, tentando recuperar o fôlego que aquelas horas (assim me pareceram) dedicadas ao teu corpo me haviam roubado à vida. Olhei-te por entre gotas de suor que me pareceram de orvalho, pois aquela manhã de Outono já nascia em raios ténues que irrompiam pela janela do quarto. Olhaste-me e isso bastou para que esclarecesses a pergunta que ainda se formava na minha cabeça. Era óbvio que só me poderias amar. Encolheste-te, qual feto, por entre lençóis sujos de nós e os teus olhos suspiraram ao fechar. A tua mão regressou ao meu sexo, mas agora sem qualquer intenção que não apenas a de o acolheres num agradecimento pela atenção e vassalagem que te prestara minutos atrás. Deixei-me levar por um suspiro que me pareceu eterno e quase que desejei morrer ali, pois de dor havia sido a minha agonia no imenso orgasmo que nos inundou. Tacteei o chão a meu lado e procurei os cigarros. Detestavas que fumasse na cama e só mo desculpavas depois do sexo. Partilhámos e sorvemos o fumo desses cigarros, como se do único oxigénio da terra fossem feitos. E ríamos sempre e com igual vontade da mesma piada "esta foi daquelas que até os vizinhos acenderam o cigarro!". Senti a tua respiração cada vez mais profunda e deixei que fosses guiada para o mundo dos sonhos. Permiti-me ficar ali a contemplar-te por todos os minutos que me apetecesse, e sorri ao lembrar-me que ruborizavas quando o fazia contigo acordada. Amei-te em cada um desses minutos e prometi-te todos os restantes da minha vida. Escusei-me a acordar-te para as obrigações do nosso outro mundo, pois merecíamos o universo. Anichei-me ao teu lado. Dormindo, falaste "dá-me colinho". Dei-to e juntei-me a ti por entre pensamentos cada vez mais vagos da vida como a conheci.
quinta-feira, fevereiro 12, 2009
Aperitivo...
Caju. Pasmem-se os que me conhecem e que venham a entender este meu post como uma dissertação, meio técnica, meio filosófica, sobre este fantástico aperitivo. Estarão enganados, nesse caso. Mas a verdadeira justificação, porém, é-me proibida a sua divulgação. A confidencialidade sobre o tema é-me exigida. Os danos colaterais podem ser tremendos e levar mesmo à extinção do meu Mundo como o conhecemos. Basicamente, se quiserem, leiam. Ponto.
É por ti que escrevo, Caju. Por ti, pseudofruto como te chamam na Wikipédia. Por ti e pelo teu contorno de tez castanha (adjectivo) e pela tua castanha (substantivo) rica em vitamina C e ferro, que ajuda no combate às doenças do coração. Por ti e pelo teu suco que fermenta rapidamente e que pode ser depois destilado para produzir aguardente (so they say...)! Parece que te conheço tão bem... que dediquei algum tempo a uma pesquisa académica sobre tudo o que és e podes ser e podes fazer, por mim e pelos outros. Mas dificilmente te conhecerei, pois és tanto, e ainda muito mais, do que apenas isso. Porque és imenso e jamais passível de ser conhecido no teu íntimo, pois este é feito de pormenores e micro-pormenores, que enriquecem a tua textura, o teu cheiro, a tua rigidez apelativa e a tão desejada degustação. Ignoro e desisto de qualquer pretensão em conhecer-te, sequer, pela metade. A fazê-lo, seria por inteiro. Alcanço, de facto, e vou descobrindo no dia-a-dia, coisas tão pequenas de ti que seriam grandes para mim. Coisas que me permites espreitar, de forma curiosa e sedenta, mas que logo recolhes e fechas a sete-chaves numa concha de justificações nobres e altruístas. Coisas que já me havia esquecido existirem no interior do que quer que seja. Ironia. Eu que sempre valorizei o "interior", quando falamos de humanos, e que me esqueço, nos dias de hoje, que esses o têm e, por mais inóspita que seja esta frustração, que eu próprio o tenho em doses desproporcionais ao tamanho do meu corpo. E que o ignoro displicentemente. Mas uma outra ironia são esses teus pormenores que vislumbro quando espreito e que em nada coincidem com as características que te atribuem. Pelo menos, não se avaliados de forma menos objectiva ou, se quiseres, mais romântica. Sim, se lhe dermos a carga emocional que tanto gosto de exortar. Por alguma razão és "pseudo". Porque "pseudo" é algo que não é totalmente uma "coisa" ou "outra". Que pode ser um pouco mais "disto" do que "daquilo". Não deixando de ser fruto que alimentarás muito mais alma que corpo, vives a tua bipolaridade em celebração. Não te defines, porque de definições são "rotulados" os humanos, e preferes o dilema da oportunidade. No amor, no sexo, na vida. Na alegria que proporcionas a quem te prova e na mesma que tens ao ser provado. Se humano fosses, era da tua pele morena que falaríamos e não da rigidez natural das tuas formas. Se humano fosses, era a ti próprio que o teu ferro fortaleceria, e não à tua personalidade íntegra, sincera e transparente, quase que fora dos limites do aceitável neste Mundo das farsas, bem como à vida das pessoas com quem te cruzas e a quem trazes bem-estar, alegria e paixão. Ah! As maleitas do coração que curas! A ironia que esta frase teria se fossem conhecidos os efeitos vaso-dilactadores e hipertensos que dás ao coração! E o teu suco? Será que provado, chupado, sorvido de ti, enebriará sentimentos e criará a ilusão de uma nova vida a quem o fizer? Antes mesmo que fermente, que entre em ebulição e que seja possível destilar em forma de aguardente? Não sei mesmo, mas o que sei é que tu, Caju, contribuis para que o meu Mundo e os mil Mundos de outras tantas pessoas sejam diferentes, mais ricos, cheios, preenchidos, reais. E sim, se morreres eu choro. Choro muito.
É por ti que escrevo, Caju. Por ti, pseudofruto como te chamam na Wikipédia. Por ti e pelo teu contorno de tez castanha (adjectivo) e pela tua castanha (substantivo) rica em vitamina C e ferro, que ajuda no combate às doenças do coração. Por ti e pelo teu suco que fermenta rapidamente e que pode ser depois destilado para produzir aguardente (so they say...)! Parece que te conheço tão bem... que dediquei algum tempo a uma pesquisa académica sobre tudo o que és e podes ser e podes fazer, por mim e pelos outros. Mas dificilmente te conhecerei, pois és tanto, e ainda muito mais, do que apenas isso. Porque és imenso e jamais passível de ser conhecido no teu íntimo, pois este é feito de pormenores e micro-pormenores, que enriquecem a tua textura, o teu cheiro, a tua rigidez apelativa e a tão desejada degustação. Ignoro e desisto de qualquer pretensão em conhecer-te, sequer, pela metade. A fazê-lo, seria por inteiro. Alcanço, de facto, e vou descobrindo no dia-a-dia, coisas tão pequenas de ti que seriam grandes para mim. Coisas que me permites espreitar, de forma curiosa e sedenta, mas que logo recolhes e fechas a sete-chaves numa concha de justificações nobres e altruístas. Coisas que já me havia esquecido existirem no interior do que quer que seja. Ironia. Eu que sempre valorizei o "interior", quando falamos de humanos, e que me esqueço, nos dias de hoje, que esses o têm e, por mais inóspita que seja esta frustração, que eu próprio o tenho em doses desproporcionais ao tamanho do meu corpo. E que o ignoro displicentemente. Mas uma outra ironia são esses teus pormenores que vislumbro quando espreito e que em nada coincidem com as características que te atribuem. Pelo menos, não se avaliados de forma menos objectiva ou, se quiseres, mais romântica. Sim, se lhe dermos a carga emocional que tanto gosto de exortar. Por alguma razão és "pseudo". Porque "pseudo" é algo que não é totalmente uma "coisa" ou "outra". Que pode ser um pouco mais "disto" do que "daquilo". Não deixando de ser fruto que alimentarás muito mais alma que corpo, vives a tua bipolaridade em celebração. Não te defines, porque de definições são "rotulados" os humanos, e preferes o dilema da oportunidade. No amor, no sexo, na vida. Na alegria que proporcionas a quem te prova e na mesma que tens ao ser provado. Se humano fosses, era da tua pele morena que falaríamos e não da rigidez natural das tuas formas. Se humano fosses, era a ti próprio que o teu ferro fortaleceria, e não à tua personalidade íntegra, sincera e transparente, quase que fora dos limites do aceitável neste Mundo das farsas, bem como à vida das pessoas com quem te cruzas e a quem trazes bem-estar, alegria e paixão. Ah! As maleitas do coração que curas! A ironia que esta frase teria se fossem conhecidos os efeitos vaso-dilactadores e hipertensos que dás ao coração! E o teu suco? Será que provado, chupado, sorvido de ti, enebriará sentimentos e criará a ilusão de uma nova vida a quem o fizer? Antes mesmo que fermente, que entre em ebulição e que seja possível destilar em forma de aguardente? Não sei mesmo, mas o que sei é que tu, Caju, contribuis para que o meu Mundo e os mil Mundos de outras tantas pessoas sejam diferentes, mais ricos, cheios, preenchidos, reais. E sim, se morreres eu choro. Choro muito.
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