sexta-feira, fevereiro 13, 2009
Nós...
Deixei-me cair para trás e suspirei profundamente, tentando recuperar o fôlego que aquelas horas (assim me pareceram) dedicadas ao teu corpo me haviam roubado à vida. Olhei-te por entre gotas de suor que me pareceram de orvalho, pois aquela manhã de Outono já nascia em raios ténues que irrompiam pela janela do quarto. Olhaste-me e isso bastou para que esclarecesses a pergunta que ainda se formava na minha cabeça. Era óbvio que só me poderias amar. Encolheste-te, qual feto, por entre lençóis sujos de nós e os teus olhos suspiraram ao fechar. A tua mão regressou ao meu sexo, mas agora sem qualquer intenção que não apenas a de o acolheres num agradecimento pela atenção e vassalagem que te prestara minutos atrás. Deixei-me levar por um suspiro que me pareceu eterno e quase que desejei morrer ali, pois de dor havia sido a minha agonia no imenso orgasmo que nos inundou. Tacteei o chão a meu lado e procurei os cigarros. Detestavas que fumasse na cama e só mo desculpavas depois do sexo. Partilhámos e sorvemos o fumo desses cigarros, como se do único oxigénio da terra fossem feitos. E ríamos sempre e com igual vontade da mesma piada "esta foi daquelas que até os vizinhos acenderam o cigarro!". Senti a tua respiração cada vez mais profunda e deixei que fosses guiada para o mundo dos sonhos. Permiti-me ficar ali a contemplar-te por todos os minutos que me apetecesse, e sorri ao lembrar-me que ruborizavas quando o fazia contigo acordada. Amei-te em cada um desses minutos e prometi-te todos os restantes da minha vida. Escusei-me a acordar-te para as obrigações do nosso outro mundo, pois merecíamos o universo. Anichei-me ao teu lado. Dormindo, falaste "dá-me colinho". Dei-to e juntei-me a ti por entre pensamentos cada vez mais vagos da vida como a conheci.
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