quinta-feira, fevereiro 12, 2009

Aperitivo...

Caju. Pasmem-se os que me conhecem e que venham a entender este meu post como uma dissertação, meio técnica, meio filosófica, sobre este fantástico aperitivo. Estarão enganados, nesse caso. Mas a verdadeira justificação, porém, é-me proibida a sua divulgação. A confidencialidade sobre o tema é-me exigida. Os danos colaterais podem ser tremendos e levar mesmo à extinção do meu Mundo como o conhecemos. Basicamente, se quiserem, leiam. Ponto.
É por ti que escrevo, Caju. Por ti, pseudofruto como te chamam na Wikipédia. Por ti e pelo teu contorno de tez castanha (adjectivo) e pela tua castanha (substantivo) rica em vitamina C e ferro, que ajuda no combate às doenças do coração. Por ti e pelo teu suco que fermenta rapidamente e que pode ser depois destilado para produzir aguardente (so they say...)! Parece que te conheço tão bem... que dediquei algum tempo a uma pesquisa académica sobre tudo o que és e podes ser e podes fazer, por mim e pelos outros. Mas dificilmente te conhecerei, pois és tanto, e ainda muito mais, do que apenas isso. Porque és imenso e jamais passível de ser conhecido no teu íntimo, pois este é feito de pormenores e micro-pormenores, que enriquecem a tua textura, o teu cheiro, a tua rigidez apelativa e a tão desejada degustação. Ignoro e desisto de qualquer pretensão em conhecer-te, sequer, pela metade. A fazê-lo, seria por inteiro. Alcanço, de facto, e vou descobrindo no dia-a-dia, coisas tão pequenas de ti que seriam grandes para mim. Coisas que me permites espreitar, de forma curiosa e sedenta, mas que logo recolhes e fechas a sete-chaves numa concha de justificações nobres e altruístas. Coisas que já me havia esquecido existirem no interior do que quer que seja. Ironia. Eu que sempre valorizei o "interior", quando falamos de humanos, e que me esqueço, nos dias de hoje, que esses o têm e, por mais inóspita que seja esta frustração, que eu próprio o tenho em doses desproporcionais ao tamanho do meu corpo. E que o ignoro displicentemente. Mas uma outra ironia são esses teus pormenores que vislumbro quando espreito e que em nada coincidem com as características que te atribuem. Pelo menos, não se avaliados de forma menos objectiva ou, se quiseres, mais romântica. Sim, se lhe dermos a carga emocional que tanto gosto de exortar. Por alguma razão és "pseudo". Porque "pseudo" é algo que não é totalmente uma "coisa" ou "outra". Que pode ser um pouco mais "disto" do que "daquilo". Não deixando de ser fruto que alimentarás muito mais alma que corpo, vives a tua bipolaridade em celebração. Não te defines, porque de definições são "rotulados" os humanos, e preferes o dilema da oportunidade. No amor, no sexo, na vida. Na alegria que proporcionas a quem te prova e na mesma que tens ao ser provado. Se humano fosses, era da tua pele morena que falaríamos e não da rigidez natural das tuas formas. Se humano fosses, era a ti próprio que o teu ferro fortaleceria, e não à tua personalidade íntegra, sincera e transparente, quase que fora dos limites do aceitável neste Mundo das farsas, bem como à vida das pessoas com quem te cruzas e a quem trazes bem-estar, alegria e paixão. Ah! As maleitas do coração que curas! A ironia que esta frase teria se fossem conhecidos os efeitos vaso-dilactadores e hipertensos que dás ao coração! E o teu suco? Será que provado, chupado, sorvido de ti, enebriará sentimentos e criará a ilusão de uma nova vida a quem o fizer? Antes mesmo que fermente, que entre em ebulição e que seja possível destilar em forma de aguardente? Não sei mesmo, mas o que sei é que tu, Caju, contribuis para que o meu Mundo e os mil Mundos de outras tantas pessoas sejam diferentes, mais ricos, cheios, preenchidos, reais. E sim, se morreres eu choro. Choro muito.

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