Quis voltar atrás na decisão
Recuar perante o inevitável
Deitar mão ao que lhe escapou
Que por entre os dedos, lhe caiu e se evaporou
Procurou por todo o lado
Do longe fez o perto e desperto
Abriu os olhos para ver
Mas não havia nada a fazer
Viu-se ridículo aos olhos do Mundo
Um agiota de sentimentos
Que descobre que as apostas são erradas
Quando as cores das cartas estão tapadas
Olhou para o lado mas não viu
Dissecou o horizonte e nada aconteceu
Nem um amanhecer espreitou do mar
Nem um simples pássaro quis voar
Pensou então na solução
Como quem vê num rumo um sentido
Abriu o olhar e deitado lhe ocorreu
Que nunca a direcção ela lhe deu
E pôs-se a olhar para o céu
Onde nada acontecia há muito tempo
De onde já não brilhava qualquer estrela
De onde retirou as tintas para a tela
E viu-a desenhada
Em pose que o seduziu
Na silhueta que a sua boca provou
Na cor de pele que a sua mão tacteou
Chamou-o para junto de si
Ele largou o chão que pisava
Lançou-se ao ar qual acrobata
“O que me dói já não me mata”
“Venho para ficar
Não faz sentido procurar-te
Fi-lo por mil anos que vivi
Nunca por mulher alguma sofri
Mas o sentido errado às coisas deve
A razão é inimiga dos amantes
É melhor a solidão que a atitude
Procurar iguais não é virtude
A paixão encontra-se em latitude”.
quinta-feira, julho 31, 2008
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