quarta-feira, maio 27, 2009

Sei de cor

Sei de cor os momentos
Sinto-te a meu lado em dias que vivo
Em dias que morro deixo-te sair de mim
Vou agonizando num estranho silêncio
Abro-me em portas que dão voz aos gritos
De tudo o que se escondeu com medo do fim

Vou-te amando porque não sei deixar de amar-te

Sei de cor a nossa história
Revejo-me envergonhado no meu papel
Mas não me lembro do caminho até aqui
Sei que quis ser guerreiro de capa e espada
Ganhei batalhas e enobreci-me com coragem
Mas as conquistas foram algo que esqueci

Vou-te amando porque não sei deixar de amar-te

Sei de cor os teus traços
Tivesse sido eu teu brilhante criador
Usando o carvão numa homenagem sentida
Desenhei-te vezes sem conta
Em cadernos da minha memória
Cujas folhas vou rasgando por toda a minha vida

Vou-te amando porque não sei deixar de amar-te

Vou-me afundando num mar de incertezas
Perco com a tentação pela tez dourada das minhas presas
Numa vontade pelo corpo firme e ignorando a alma esgotada
E vou-te amando porque não sei fazer mais nada
Vou-te amando porque não sei deixar de amar-te

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