segunda-feira, julho 06, 2009

Não devo nada a ninguém

Procurei musas faladoras
Palavras que nunca havia escrito
Entoações promissoras
Dar o dito por não dito
Tudo para alguém sempre escrevi
Dei sentimento a quem o quis
Chorei por corpos que não provei
Mas nunca para mim o fiz

Tive ousadia em quem amei
Dei-me sem pranto porque o prefiro
Não sou tão brusco quanto o devo
O que dou, jamais retiro
Fico só e em mim me embranho
Sofro na antecipação e no leito
Fujo nas asas de uma borboleta
Num ciclo de causa-efeito

Estas palavras são para mim
Um egoísmo que me assenta bem
Não devo nada a ninguém

Procurei musas faladoras
Estridentes e vil feitio
Cruzei mares em sua busca
Encontrei-me no leito de um rio
Por mais que quisesse dizê-lo de outra forma
Por mais que andasse na minha mão
Deparei-me sempre com dois sentidos
Um que o faz, o outro não

Estas palavras são para mim
Um egoísmo que me assenta bem
Estas palavras são para mim
Não devo nada a ninguém

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