Olá, como está
Seja bem-vindo a esta casa,
Não lhe faremos mal
Mas vai ver tudo de uma forma original
Entre, feche a porta
Deixe o Mundo atrás de si
Nada mais será como era
Chamam-lhe a casa da quimera
Vai-lhe parecer esquisito
Que as pessoas não tenham cara
É tudo normal e vai gostar
Acabamos por nos habituar
Tenha atenção
À porta grande no fundo
Diz alguém que um dia lá bateu
Que espreitou e lá dentro só viu breu
Não sabemos bem porquê
Há quem lhe chame o fim do Mundo
Diz que não se sente o ar
Se fosse a si, não ia querer experimentar
Por todas as outras salas
Sejam as pretas ou as brancas
Pode falar com quem quiser
Desde que saiba que não o podem ver
Olhos ninguém tem,
O mesmo para boca ou nariz
Dizem que não sabem quem lhos roubou
Já ninguém os tinha quando aqui chegou
Não tropece em nada
Há muitas coisas pelo chão
Se para este olhar e nada vir
Não se preocupe que não vai cair
Sinta-se como em sua casa
Pois a partir de hoje vai mesmo sê-la
E nunca vai querer sair
Pois nada disto alguma vez o vai trair
Agora que reparo
A sua cara também já está diferente
Já não vejo o seu olhar profundo
E vejo uma luz que não se vê no Mundo
O seu nariz desapareceu
Mas não vai ter nada para cheirar
E vá por mim que não lhe minto
Isso é coisa da qual nem saudades sinto
Diga qualquer coisa homem
A sua boca vai-se extinguir
Diga tudo o que lhe vai na alma
E se não ouvir som mantenha a calma
Todos aqui são iguais
Comunicam pelo toque
Imagina um Mundo melhor para viver?
Onde nada pode acontecer?
É gente boa que aqui anda
Que só em vida fez mal
Houve quem conseguisse amá-los
Mas fui eu a encontrá-los
Mesmo que não me veja mais
Saiba que andarei por aí
Sou conhecido por Satanás
A quem “nada pedes e tudo dás”
Vá entrando, vá senhor
Chegou finalmente à estação
Onde a vida deixa de soprar
E a morte o leva a passear.
sexta-feira, junho 19, 2009
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