domingo, abril 12, 2009

Se morrermos choro

Tento mentir ao tempo enquanto espero

Pela resposta pronta que outrora tive

A mensagem seguiu só num sentido

Mas se não respondes ela não vive

Disse muito mais do que merecias

Abri-me em portas de par em par

Não me contive para que me tivesses

E fizeste sempre por recusar

Até num beijo me dei em sorte

Na esperança de ter-te na minha boca

Um suspiro a quente e uma incerteza

Pouco mais que coisa pouca

Deixei que essa memória me arruinasse

Me atormentasse de noite e dia

O sabor dos lábios que quis provar

Dentro do teu corpo em euforia

E fiquei sem nada

E dei-te tudo sem nada pedir

E foi mesmo nada que me deste em troca

E com esse nada vou ter de seguir

Olho em volta nesta nova vida

No espaço que me coube em sorte

Invento o tempo em novas eras

Enterro o fraco e ressuscito o forte

Mas toda a ironia vive de sadismo

Brinca como se não houvesse amanhã

Pois faz do hoje um cruel amigo

E da vida passada uma imagem vã

Lança às chamas madeira seca

Ateia um fogo que não consome

Pois vento forte nunca apaga

E água não mata a fome

Precisava mesmo de acreditar

Que tudo não passou de uma aventura

Onde fui herói e tu vilã

Que procurei no teu mal a minha cura

E fiquei sem nada
E dei-te tudo sem nada pedir
E foi mesmo nada que me deste em troca
E com esse nada vou ter de seguir

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