Tento mentir ao tempo enquanto espero
Pela resposta pronta que outrora tive
A mensagem seguiu só num sentido
Mas se não respondes ela não vive
Disse muito mais do que merecias
Abri-me em portas de par em par
Não me contive para que me tivesses
E fizeste sempre por recusar
Até num beijo me dei em sorte
Na esperança de ter-te na minha boca
Um suspiro a quente e uma incerteza
Pouco mais que coisa pouca
Deixei que essa memória me arruinasse
Me atormentasse de noite e dia
O sabor dos lábios que quis provar
Dentro do teu corpo em euforia
E fiquei sem nada
E dei-te tudo sem nada pedir
E foi mesmo nada que me deste em troca
E com esse nada vou ter de seguir
Olho em volta nesta nova vida
No espaço que me coube em sorte
Invento o tempo em novas eras
Enterro o fraco e ressuscito o forte
Mas toda a ironia vive de sadismo
Brinca como se não houvesse amanhã
Pois faz do hoje um cruel amigo
E da vida passada uma imagem vã
Lança às chamas madeira seca
Ateia um fogo que não consome
Pois vento forte nunca apaga
E água não mata a fome
Precisava mesmo de acreditar
Que tudo não passou de uma aventura
Onde fui herói e tu vilã
Que procurei no teu mal a minha cura
E fiquei sem nada
E dei-te tudo sem nada pedir
E foi mesmo nada que me deste em troca
E com esse nada vou ter de seguir
Sem comentários:
Enviar um comentário