Sento-me em frente a ti
Temos tudo para falar
Como se as palavras
Não tivessem ainda
Sido inventadas
O teu olhar grave
Faz-me pensar
Será que nos perdemos
Algures no silêncio
Onde sempre estivemos
E tudo se resume
A este momento
A breves minutos
Um intervalo do tempo
Do tempo que se esgota
Numa cor que desbota
Em coisa nenhuma
É o princípio e o fim
O princípio e o fim
Um começo terminado
Um confronto inacabado
Porque é sempre assim
Nem importa discutir
Mais saliva que gastamos
Sem beijo ou ternura
Fomos apenas desejo
De pura loucura
O teu corpo ruiu
Como avalanche de gelo
Dei-me como prisioneiro
Vendo-te só a ti
E cegando ao mundo inteiro
E nada me consome
Nem ouvir-te mentir
Nestes breves minutos
Um intervalo do tempo
Vai cair no esquecimento
Tempestade sem tormento
É nada de nada
É o princípio e o fim
O princípio e o fim
Um começo terminado
Um confronto inacabado
Porque é sempre assim
3 comentários:
Descobri-te por acaso, se é que o acaso é por acaso...li e reli mas este texto em particular mexeu comigo "Fomos apenas desejo
De pura loucura
O teu corpo ruiu
Como avalanche de gelo
Dei-me como prisioneiro
Vendo-te só a ti"...nestes minutos, tudo o resto desaparece mesmo. Parabéns pelos textos mas acima de tudo pela capacidade de expressão :)
Neste tempo de intervalo
as tuas frases horizontais
deslizam suave e verticalmente
por entre o meu pensamento.
Se as letras baralhasse e depois as soltasse ou ao ar atirasse, formariam de novo este "intervalo do tempo".
Por serem mágicas.
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