"Nunca saberás o que é gostar. Não da forma como gosto de ti. Não é uma crítica, é apenas uma constatação e, quem sabe, uma revelação para mim próprio pelo facto de que, possivelmente, és tu que estás verdadeiramente correcta. Eu gosto porque gosto, sem precisar de qualquer adjectivo para o quantificar ou qualificar. Gosto porque olho o contorno do teu rosto e os meus olhos como que se semi-cerram, acompanhando um ritmo apaziguante na minha respiração. Tu gostas porque gostas de um qualquer momento em que sentes ou pensas "gosto". São coisas diferentes, porém iguais pois partilham as letras de uma mesma palavra. Mas só por isso.
Mas algo está a mudar. Talvez pela simples razão de que percebo o quanto gosto a cada vez que gosto, que é sempre. E sinto que isso não me faz apenas bem. Começo a sentir um tipo de ansiedade que roça o ciúme de quem tem parte do que gosto, mas que possivelmente não gosta tanto como eu. Começo a sentir que existe alguma indisponibilidade da tua parte para quem sou, para o que te digo ou contigo partilho ou desejo partilhar ou no que em ti adoro. Não é uma cobrança de disponibilidade, como sabes. Cobrar o que quer que seja não é o meu registo, como sabes, mas sinto que existes para um Mundo novo que exploras - por vezes, promiscuamente, sei-o -, arredando-te de um Mundo que usávamos partilhar em uníssono. E mesmo não o antecipando, mesmo não o sabendo, sei agora que isso me magoa um pouco. Não, claro que não me dilacera como antes me dilaceravam algumas confissões que me fazias sobre a tua vida, os teus sonhos (molhados ou não), os teus desejos inqualificáveis na dose de tesão que me transmitiam a cada imagem que se revelava na minha mente luxuriante. Mas magoa-me um pouco. E, confesso-te, em toda a minha sinceridade que conheces e que jamais poderás questionar, isso não me apetece. Não me apetece mesmo.
Sim. Algo está a mudar. Quiçá compreendo agora alguma da importância que relativizei no passado e que tem a ver com o gostar de alguém e ser adorado de igual forma. É mesmo importante. Foda-se! Quase que me apetece gritá-lo! Não o farei porque tudo isto que sinto me suaviza a mente, quase como se fosse um exorcismo banal de algum sentimento de culpa por gostar de ti como gosto, da forma que não gosto. Talvez ajude também o sentimento que nutro por alguém. Talvez ajude também. Talvez. Mas é certo que algo está a mudar.
Sei que já me perdi muitas vezes em devaneios e palavras usadas que soaram bem mais corajosas quando proferidas por outrém. E depois voltei atrás, não na minha palavra mas nas minhas palavras insípidas e cobardes. Mas estas soam-me agora bem melhor. Parecem dotadas de uma energia superior que, em celebração, quase que são gemidas, primeiro, para serem vociferadas depois num grito libertador e incauto. Não interessa quem as ouve, interessa-me tê-las gritado!
Algo está a mudar. E diz quem sabe, a mudança é boa. Quisesse eu sabê-lo, e teria gritado há mais tempo.
Com amor.
P.S. - Amigo, espero tê-lo conseguido. Nunca escrevi amor para ninguém, porque amor não é igual para todos. Mas porque te amo, amigo, decidi amar como acho que amas quem também te ama mas dá ao amor um significado diferente. Exactamente porque o amor não é igual para todos. Sente o amor como o quiseres, mas não deixes de o sentir. Essa mudança não é boa.
segunda-feira, janeiro 11, 2010
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
4 comentários:
Oi Mário! Aliás, para mim ainda e sempre "Marinho"! Descobri-te por acaso, o meu velho amigo de quem guardo enorme saudade e arrependimento de, algures nas voltas da vida, ter perdido o contacto contigo. Li rapidamente o teu blogue, demasiado rápido, para matar esta curiosidade saudosista. Não sei se ainda aqui escreves, espero que sim. Gostava de te voltar a ver, de estar contigo. Contacta-me! Abraço.
Parabéns meu amigo, continuas a escrever de uma forma incrivel. Já tinha saudades.
Bjs
Ana Lourenço Dimas
arrepiante.
Esta é das minhas preferidas... parece ter sido escrita para mim!...
Enviar um comentário