sábado, abril 17, 2010

Intervalo do tempo

Sento-me em frente a ti

Temos tudo para falar

Como se as palavras

Não tivessem ainda

Sido inventadas

O teu olhar grave

Faz-me pensar

Será que nos perdemos

Algures no silêncio

Onde sempre estivemos

E tudo se resume

A este momento

A breves minutos

Um intervalo do tempo

Do tempo que se esgota

Numa cor que desbota

Em coisa nenhuma

É o princípio e o fim

O princípio e o fim

Um começo terminado

Um confronto inacabado

Porque é sempre assim

Nem importa discutir

Mais saliva que gastamos

Sem beijo ou ternura

Fomos apenas desejo

De pura loucura

O teu corpo ruiu

Como avalanche de gelo

Dei-me como prisioneiro

Vendo-te só a ti

E cegando ao mundo inteiro

E nada me consome

Nem ouvir-te mentir

Nestes breves minutos

Um intervalo do tempo

Vai cair no esquecimento

Tempestade sem tormento

É nada de nada

É o princípio e o fim

O princípio e o fim

Um começo terminado

Um confronto inacabado

Porque é sempre assim

3 comentários:

GuessWho disse...

Descobri-te por acaso, se é que o acaso é por acaso...li e reli mas este texto em particular mexeu comigo "Fomos apenas desejo
De pura loucura
O teu corpo ruiu
Como avalanche de gelo
Dei-me como prisioneiro
Vendo-te só a ti"...nestes minutos, tudo o resto desaparece mesmo. Parabéns pelos textos mas acima de tudo pela capacidade de expressão :)

Ivone Schofield disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ivone Schofield disse...

Neste tempo de intervalo
as tuas frases horizontais
deslizam suave e verticalmente
por entre o meu pensamento.

Se as letras baralhasse e depois as soltasse ou ao ar atirasse, formariam de novo este "intervalo do tempo".

Por serem mágicas.