Desiludam-se aqueles que, ao olhar para o título desta rubrica, pensaram que iria dissertar sobre as células cerebrais geralmente associadas à capacidade intelectual deste ou daquele humano. Neurónios é o nome de um evento que se realiza anualmente em Portugal, e cujo objectivo é premiar o que de melhor se faz nesta nova ciência de comunicação chamada marketing relacional. Como sabem, é isto que eu faço na vida e é sobre isto que gostaria de dizer duas ou três coisas, mais concretamente sobre a festa dos Neurónios que se realizou ontem à noite, ali para os lados da Rua do Alvielado, no Museu da Água. Saltarei os pormenores da chegada dos "famosos" ao local do evento, aglomerando-se em grupos que, embora isolados, permitiriam captar, numa vista aérea, uma imagem de multidão; dos olhares curiosos e sugestivos trocados entre a nata de criativos e responsáveis de agências; do catering de salgadinhos e patés; dos vestidos de cerimónia desenquadrados do tecido de ganga em maioria; das "enfermeiras/promotoras" inberbes mas de grande tranca; do magnífico espaço-museu. São pormenores interessantes, mas nem por isso merecedores de grande prosa. Falo apenas daquilo que, na minha opinião, salta realmente à vista e importa: os premiados. Ocorre-me agora que poderão sorver das minhas palavras algum tipo de fanfarronice ou pretenciosismo. Que se lixe, pois não é essa a intenção. A intenção é apenas elogiar, no tempo devido, aqueles que merecem ser considerados os melhores, porque o são, de facto, nesta área de comunicação. Para que não aconteça mais uma vez, como é apanágio do povo português, vir fazer este tipo de homenagens a título póstumo. Para que não aconteça mais uma vez, que os "senhores dos azeites" das agências de publicidade/advertising se posicionem como os únicos que cospem para o mercado algum trabalho de qualidade. Para que não ocorra mais uma vez a infrutífera discussão sobre o que é "above" e o que é "below", e que o "above" está (e é) a mó de cima. É neste momento que se tem que dizer que subiram ao palco os melhores directores de arte, os melhores copys, os melhores directores e supervisores criativos, os melhores accounts, os melhores webdesigners, os melhores new media, os melhores directores gerais, os melhores clientes - aqui designados anunciantes. É neste momento que se tem que dizer que andava por ali o que de melhor existe no marketing relacional. Os melhores trabalhos e as melhores campanhas. Os melhores profissionais e os melhores aprendizes. Com menos visibilidade mas também de parabéns, os organizadores deste evento, que mostraram que a dedicação e a inteligência se sobrepõem invariavelmente à experiência. Está na altura de assumir, de uma vez por todas, que damos cartas e ganhamos as vazas. Que temos uma mão de full house e não fazemos bluff. Que trabalhamos num tipo de comunicação que ditará o futuro das marcas pelo foco destas nos seus próprios clientes. Que os anunciantes devem perceber que este é, de facto, o caminho. Que percebam que uma boa marca brilha, mas o bom serviço ao cliente não só sustenta, como potencia as vendas. Que todos, sem excepção, usem os neurónios. De uma vez por todas.
2004/09/17
segunda-feira, agosto 20, 2007
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