De pés nús e alma ferida
Piso os vidros deste espelho quebrado
Sinto que no sangue me redimo
E expurgo os males que te fiz
E não é dor que sinto
Apenas a sensação de frio
Tal como nas noites sujas
Em que te sonho a preto e branco
Nem me lembro se sou culpado
Se o quebrei quando partiste
Se tu própria o fizeste
Como se me ajudasses
A apagar os teus restos do meu espaço
Do que vivemos nestas paredes
Nos murmúrios do nosso sexo
Ou no escrutínio da agonia branca
Vejo a poça no soalho
O caudal que se infiltra
Pelas frestas desagua
Como se deste lugar fugisse
Deixa para trás um sopro
O vento que levou as palavras
Que quais pombas brancas
Voam no seu contraste
É tempo, enfim, de te esquecer
Guardar em sons da tua boca
Uma história que embalou
E nos adormeceu
Melhor fora que pecássemos
Numa entrega infiel
Que provássemos de um veneno
Luxuriante e amargo
E no espelho olharíamos
Os nossos corpos em uníssono
Como a balada da dormência
Macilento do suor
Se o não quebrasse
Viveria numa culpa
Na existência da desculpa
No fim de mim.
sexta-feira, outubro 31, 2008
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Sem comentários:
Enviar um comentário