quarta-feira, outubro 17, 2007

Decoro-te

Só decoro o que amo. Decoro a cor da tua pele quando nela contorço a minha própria tez dourada durante o sexo. Decoro o contorno da tua boca, perdido e disforme, no ar rarefeito dos nossos beijos. Decoro o sabor do teu sexo quando nele me afundo em estocadas letais que me levam à agonia. Decoro o som do vai-e-vem do meu sexo em ti, e na pressão que mo asfixia aquando da sua metade para dentro. Decoro o incêncio que nos arde lá bem no teu fundo e aquela parede intransponível que evita que o meu sexo te rasgue em duas de ti. Decoro o cheiro no quarto, antes, durante e depois. Decoro o sono que me lembra o acender dum cigarro, e fumo-o sem inspirar, no sonho que, invariavelmente, há-de vir. Decoro a minha vida nesta fase vitalícia em que amar-te deixou de ser um caso ou um acaso. Decoro que te amo. E decoro-te.

17/10/07

1 comentário:

raco disse...

Pois é: a vida tem muito mais graça quando decoramos o nosso corpo com cicatrizes. Já escrevi sobre isso uma vez, mas não publiquei... um dia mostro-te!